top of page

Fisioterapia Domiciliar para Sequela de AVC (hemiplegia)

Fisioterapia Domiciliar para Sequela de AVC (hemiplegia) — Dr. Moacir Rodolfo Muruci

A sequela de AVC com hemiplegia é a perda total ou parcial de força e de controle de um lado do corpo depois de um acidente vascular cerebral. Quando a perda é parcial, chamamos de hemiparesia. Junto com a fraqueza, podem aparecer alterações de sensibilidade, rigidez muscular chamada espasticidade, dificuldade de equilíbrio, alterações da fala, da deglutição, da visão, da memória e do humor. A forma como a pessoa caminha, usa o braço e a mão e realiza as tarefas do dia a dia muda, e a reabilitação busca recuperar o máximo de função e de independência possível.

Eu sou o Dr. Moacir Rodolfo Muruci (CREFITO-2 16.513-F), fisioterapeuta neurofuncional com 30 anos de atendimento domiciliar. Nesta página, explico como o cérebro se reorganiza depois do AVC, o que a ciência mostra sobre a reabilitação, como são trabalhados a marcha, o equilíbrio, o braço e a mão, como lidar com a espasticidade e com o ombro doloroso, como prevenir quedas e novas complicações, quais sinais exigem atendimento imediato e como funciona a fisioterapia domiciliar para quem convive com sequela de AVC.

Resumo rápido

  • O cérebro tem capacidade de reorganização, chamada neuroplasticidade, que é maior nos primeiros meses, mas continua ao longo da vida.
  • A reabilitação baseada em prática intensa, repetitiva e orientada a tarefas reais tem a melhor evidência.
  • Treinar em casa, nos móveis, corredores e banheiro da própria rotina favorece a transferência dos ganhos.
  • Espasticidade, ombro doloroso, quedas e perda de condicionamento são complicações frequentes que podem ser prevenidas e tratadas.
  • Fraqueza súbita, boca torta, fala alterada, perda de visão ou dor de cabeça súbita intensa exigem ligar 192 imediatamente, porque podem indicar novo AVC.

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação individual. Em situações de urgência, ligue 192 (SAMU).

📲 Agendar avaliação pelo WhatsApp

O que é a sequela de AVC com hemiplegia

Fisioterapia domiciliar para sequela de AVC (hemiplegia): avaliação em casa

O AVC acontece quando uma área do cérebro deixa de receber sangue, por entupimento de um vaso, no AVC isquêmico, ou por rompimento de um vaso, no AVC hemorrágico. As células nervosas daquela região são lesionadas, e as funções que elas controlavam ficam comprometidas. Como cada lado do cérebro comanda o lado oposto do corpo, uma lesão no lado esquerdo do cérebro costuma causar fraqueza no lado direito do corpo, e vice-versa.

A hemiplegia é a perda de movimento de um lado do corpo; a hemiparesia é a perda parcial. O braço costuma ser mais afetado do que a perna em muitos casos, especialmente quando a lesão envolve a artéria cerebral média. A perna, por sua vez, é fundamental para a marcha e para o equilíbrio.

Alterações que podem acompanhar a hemiplegia

  • Espasticidade: aumento do tônus muscular, com rigidez e tendência a manter o braço dobrado e o pé apontado para baixo.
  • Alterações de sensibilidade do lado afetado.
  • Negligência: dificuldade de perceber e usar o lado afetado e o espaço desse lado.
  • Alterações da fala e da linguagem, chamadas afasia e disartria.
  • Dificuldade para engolir, chamada disfagia.
  • Alterações da visão, como perda de parte do campo visual.
  • Alterações de memória, atenção e planejamento.
  • Depressão, ansiedade e labilidade emocional.
  • Fadiga.

Como o cérebro se recupera depois do AVC

Depois do AVC, o cérebro passa por um processo de recuperação espontânea, mais intenso nas primeiras semanas e meses. Áreas próximas à lesão e circuitos alternativos podem assumir parte das funções perdidas, num processo chamado neuroplasticidade. Essa reorganização é influenciada pelo que a pessoa pratica: movimentos e tarefas repetidos com intensidade e significado tendem a ser reaprendidos com mais eficiência.

  • Fase aguda: primeiros dias, geralmente no hospital, com estabilização clínica e mobilização precoce quando segura.
  • Fase subaguda: primeiros meses, quando a recuperação costuma ser mais rápida.
  • Fase crônica: após cerca de seis meses, quando a recuperação continua possível com treino, embora em ritmo mais lento.

Uma ideia importante é que a recuperação não se encerra em um prazo fixo. Estudos mostram ganhos funcionais com treino orientado mesmo anos após o AVC. Por outro lado, a evolução varia muito entre as pessoas, conforme o tamanho e o local da lesão, a idade, outras doenças e a intensidade da reabilitação. Não há prazo ou resultado garantido.

Existe também o fenômeno do "não uso aprendido": quando a pessoa passa a usar apenas o lado sadio, o lado afetado perde ainda mais função. Por isso, a reabilitação estimula ativamente o uso do lado afetado nas tarefas do dia a dia.

Sinais de alerta: quando procurar o médico

Fisioterapia em casa para sequela de AVC (hemiplegia): exercícios orientados

Ligue 192 (SAMU) imediatamente se houver:

  • Fraqueza ou dormência súbita em um lado do corpo, nova ou pior do que antes.
  • Boca torta, fala enrolada ou dificuldade súbita para falar ou entender.
  • Perda súbita da visão ou visão dupla.
  • Dor de cabeça súbita e muito intensa.
  • Tontura súbita com desequilíbrio, dificuldade para andar ou coordenar.
  • Convulsão, desmaio ou confusão mental súbita.
  • Falta de ar súbita, dor no peito ou engasgos com dificuldade para respirar.

Procure avaliação médica em breve se houver:

  • Febre, tosse com catarro ou engasgos frequentes, que podem indicar pneumonia por aspiração.
  • Inchaço doloroso na panturrilha.
  • Feridas na pele, principalmente nos calcanhares, no quadril e no cóccix.
  • Dor intensa no ombro afetado.
  • Queda, mesmo sem lesão aparente.
  • Tristeza persistente, desânimo ou alterações importantes do comportamento.
  • Pressão arterial ou glicemia descontroladas.

A sigla SAMU, que lembra "Sorria, Abrace, Música, Urgente", ajuda a família a reconhecer um novo AVC: peça para a pessoa sorrir, levantar os dois braços e repetir uma frase; se houver alteração, ligue 192.

Avaliação fisioterapêutica em casa

  • História do AVC: tipo, data, local da lesão, internação, exames, remédios e outras doenças, como pressão alta, diabetes e arritmias.
  • Sinais vitais em repouso e durante o esforço.
  • Força e controle motor do braço, da mão, do tronco e da perna.
  • Tônus muscular e espasticidade.
  • Sensibilidade e percepção do lado afetado.
  • Amplitude de movimento, com atenção ao ombro, ao punho, aos dedos e ao tornozelo.
  • Equilíbrio sentado e em pé, com escalas como a de Berg.
  • Marcha: velocidade, distância, padrão e necessidade de apoio.
  • Transferências: rolar, sentar, levantar, ir para a cadeira, para o vaso e para o banho.
  • Função do braço e da mão, com testes funcionais.
  • Cognição, comunicação e deglutição, em conjunto com a equipe.
  • Ambiente: cama, cadeiras, banheiro, escadas, tapetes e iluminação.
  • Cuidador: quem ajuda, como ajuda e quais são as dificuldades.

A avaliação em casa mostra exatamente onde estão as barreiras: o degrau da porta do banheiro, a cama baixa, o corredor estreito ou o armário alto. A partir disso, as metas são combinadas com a pessoa e a família.

Objetivos do tratamento

Fisioterapeuta domiciliar orientando paciente com sequela de AVC (hemiplegia)

  • Recuperar o máximo de controle e de força do lado afetado.
  • Melhorar o equilíbrio e reduzir o risco de quedas.
  • Recuperar ou melhorar a marcha, com ou sem dispositivo de apoio.
  • Recuperar o uso funcional do braço e da mão.
  • Tornar as transferências mais seguras e independentes.
  • Prevenir e tratar complicações: espasticidade, contraturas, ombro doloroso, lesões por pressão, trombose e perda de condicionamento.
  • Melhorar a resistência ao esforço e a capacidade cardiorrespiratória.
  • Orientar e capacitar o cuidador.
  • Favorecer a participação na vida familiar, social e, quando possível, profissional.

As metas são revistas nas reavaliações. A fisioterapia não promete cura, prazo ou resultado garantido; o objetivo é o melhor nível de função possível para cada pessoa.

Técnicas usadas na fisioterapia

  • Treino orientado à tarefa: prática repetida de atividades reais, como levantar da cadeira, caminhar até a cozinha, pegar um copo e vestir uma blusa.
  • Treino de marcha com e sem apoio, em diferentes superfícies e situações.
  • Treino de equilíbrio estático e dinâmico.
  • Fortalecimento do lado afetado e do lado sadio.
  • Terapia por contensão induzida, em casos selecionados, estimulando o uso intensivo do braço afetado.
  • Terapia do espelho, que usa o reflexo do lado sadio para estimular o lado afetado.
  • Estimulação elétrica neuromuscular e estimulação elétrica funcional, quando indicadas.
  • Alongamentos e posicionamento para controlar a espasticidade e prevenir contraturas.
  • Órteses para o tornozelo e o pé e, em alguns casos, para o punho e a mão.
  • Treino aeróbico adaptado, com monitoramento.
  • Prática mental e imagética motora, como complemento.
  • Orientação ao cuidador para transferências e para estimular o uso do lado afetado.

Exercícios típicos para hemiplegia

Fisioterapia em domicílio para sequela de AVC (hemiplegia): acompanhamento da evolução

  • Rolar na cama para os dois lados, usando o braço e a perna afetados.
  • Ponte com as duas pernas, depois com ênfase na perna afetada.
  • Sentar e levantar da cadeira, distribuindo o peso nas duas pernas.
  • Transferência de peso em pé, para a frente, para trás e para os lados.
  • Passos para a frente e para trás com apoio.
  • Subir e descer degrau com corrimão.
  • Marcha no corredor, com metas de distância e tempo.
  • Alcançar objetos em diferentes alturas com o braço afetado.
  • Deslizar a mão sobre a mesa com uma toalha.
  • Pegar e soltar objetos de diferentes tamanhos e pesos.
  • Atividades bimanuais, como dobrar roupas e segurar um pote enquanto abre.
  • Alongamento da panturrilha e dos flexores do punho e dos dedos.

A intensidade e a quantidade de repetições são importantes. Estudos indicam que mais prática, com repetições suficientes e desafio adequado, está associada a melhores resultados. Por isso, o programa de casa entre as sessões tem papel central.

Marcha e equilíbrio

A marcha após o AVC costuma ser mais lenta, com passos assimétricos, dificuldade para dobrar o joelho e levantar a ponta do pé e tendência a apoiar mais peso no lado sadio. O treino trabalha cada componente e a marcha como um todo.

  • Treino de apoio na perna afetada.
  • Treino do avanço da perna com o joelho dobrado e o pé levantado.
  • Uso de órtese tornozelo-pé quando o pé cai. Veja fisioterapia domiciliar para pé caído.
  • Escolha do dispositivo de apoio adequado: bengala simples, bengala de quatro pontas ou andador.
  • Treino em situações reais: portas, tapetes, rampas, calçadas, escadas.
  • Aumento progressivo da velocidade e da distância.

As diretrizes recomendam treino de marcha intensivo e orientado à tarefa, e, quando disponível, o treino em esteira pode complementar o programa.

Braço e mão

A recuperação do braço e da mão costuma ser mais lenta e depende muito do grau de movimento presente nas primeiras semanas. Mesmo quando a mão não recupera movimentos finos, o braço pode ser treinado para ajudar nas tarefas, como apoiar, segurar e estabilizar objetos.

  • Prática diária de alcançar, pegar, segurar e soltar.
  • Atividades da rotina com as duas mãos.
  • Terapia por contensão induzida, quando há algum movimento de punho e dedos.
  • Terapia do espelho.
  • Estimulação elétrica dos extensores do punho e dos dedos.
  • Órteses de posicionamento para evitar encurtamentos.

Espasticidade

A espasticidade é o aumento do tônus muscular, com resistência ao movimento rápido, que costuma aparecer semanas a meses após o AVC. No braço, tende a manter o cotovelo, o punho e os dedos dobrados; na perna, tende a manter o joelho esticado e o pé apontado para baixo e para dentro.

  • Alongamentos diários e posicionamento adequado.
  • Exercícios ativos, que ajudam a controlar o tônus.
  • Órteses de posicionamento.
  • Estimulação elétrica.
  • Tratamento médico, como a toxina botulínica, em casos selecionados, sempre associado à fisioterapia.

Nem toda espasticidade precisa ser eliminada: em alguns casos, ela ajuda a sustentar o peso na perna. O objetivo é controlar o que atrapalha a função, a higiene e o conforto.

Ombro doloroso após AVC

A dor no ombro do lado afetado é comum e pode atrapalhar a reabilitação, o sono e o humor. Ela tem várias causas: subluxação, quando o ombro "desce" pela fraqueza dos músculos, espasticidade, lesões dos tendões, capsulite adesiva e alterações de sensibilidade.

  • Nunca puxe a pessoa pelo braço afetado durante as transferências.
  • Apoie o braço sobre uma almofada ou mesa quando sentado.
  • Use apoio adequado durante a marcha, conforme orientação.
  • Mantenha a mobilidade do ombro com movimentos suaves, sem forçar além do confortável.
  • Comunique dor intensa à equipe.

Veja também fisioterapia domiciliar para capsulite adesiva.

Prevenção de quedas

Pessoas que tiveram AVC têm risco aumentado de quedas, por fraqueza, alteração do equilíbrio, da sensibilidade, da visão, da atenção e por remédios. A prevenção combina exercícios e adaptações.

  • Treino regular de equilíbrio e de força.
  • Retirada de tapetes soltos e de obstáculos.
  • Barras de apoio no banheiro e corrimão nas escadas.
  • Cadeira de banho e elevador de assento sanitário.
  • Iluminação noturna no caminho para o banheiro.
  • Calçados fechados e firmes, adaptados à órtese quando houver.
  • Organização dos móveis para que o lado afetado não bata em batentes e quinas.

Veja prevenção de quedas em idosos.

O papel do cuidador

O cuidador é um dos pilares da reabilitação em casa. Ele ajuda nas transferências, na higiene, na alimentação e no estímulo aos exercícios. A orientação adequada protege o cuidador de lesões e evita que ele faça pela pessoa o que ela já consegue fazer.

  • Aprender as técnicas corretas de transferência, sem puxar pelo braço afetado.
  • Posicionar-se do lado afetado para estimular a atenção e o uso desse lado.
  • Dar tempo para a pessoa tentar fazer sozinha.
  • Incentivar o programa de exercícios entre as sessões.
  • Cuidar da própria saúde e pedir ajuda quando necessário.

Veja cuidador e família: como trabalhar juntos.

Prevenção de um novo AVC

  • Uso correto dos remédios prescritos, como antiagregantes, anticoagulantes, anti-hipertensivos e para o colesterol.
  • Controle da pressão arterial, da glicemia e do colesterol.
  • Atividade física regular, adaptada.
  • Alimentação equilibrada, com menos sal.
  • Parar de fumar e evitar o excesso de álcool.
  • Acompanhamento médico regular.

O exercício físico regular contribui para o controle da pressão, da glicemia e do peso e faz parte da prevenção secundária.

Humor, cognição e fadiga

Depressão, ansiedade, fadiga e alterações de memória e atenção são frequentes após o AVC e influenciam a participação na reabilitação. O fisioterapeuta adapta as sessões, divide as tarefas em etapas, usa comandos simples quando necessário e comunica à equipe médica sinais de desânimo persistente. O apoio de psicólogo, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional faz parte do cuidado em muitos casos.

Reabilitação anos depois do AVC

Muitas famílias ouvem que "depois de seis meses não há mais o que fazer". Estudos mostram que pessoas na fase crônica do AVC também podem ganhar velocidade de marcha, equilíbrio, força e função com programas de treino adequados. Os ganhos tendem a ser menores e mais lentos, mas podem fazer diferença na independência e na qualidade de vida. Além disso, a manutenção da atividade física evita a perda de função ao longo dos anos.

O que dizem os estudos

As diretrizes da American Heart Association e da American Stroke Association para reabilitação após AVC, de 2016, recomendam treino orientado à tarefa, treino de marcha intensivo, treino de equilíbrio, exercícios de fortalecimento e condicionamento, terapia por contensão induzida em casos selecionados e uso de órteses quando indicadas. A revisão de Veerbeek e colaboradores, de 2014, que reuniu centenas de ensaios clínicos, mostrou que intervenções baseadas em prática intensiva e específica trazem benefícios funcionais. Revisões sobre reabilitação domiciliar após AVC indicam resultados semelhantes ou superiores aos de serviços ambulatoriais em vários desfechos.

Mitos e verdades

"Depois de seis meses não adianta mais fazer fisioterapia." Mito. Ganhos funcionais são possíveis também na fase crônica.

"É melhor usar só o lado bom para não cansar." Mito. O uso do lado afetado é parte essencial da recuperação.

"Treinar as tarefas da própria casa ajuda." Verdade. A prática no ambiente real favorece a transferência dos ganhos.

"Fraqueza súbita nova ou fala alterada é urgência." Verdade. Ligue 192 imediatamente.

Fisioterapia domiciliar e fisioterapia em casa

A fisioterapia domiciliar leva avaliação, tratamento e orientação até a residência do paciente. Para quem convive com sequela de AVC (hemiplegia), a fisioterapia em casa evita deslocamentos que podem ser cansativos, dolorosos ou arriscados e permite que o tratamento aconteça no ambiente real da rotina.

No caso de sequela de AVC (hemiplegia), o atendimento em casa permite treinar transferências, marcha e atividades do dia a dia nos móveis, corredores, escadas e banheiro da própria residência, além de ensinar o cuidador a ajudar com segurança e sem fazer pela pessoa o que ela consegue fazer.

  • Avaliação completa na residência, com testes que são repetidos ao longo do tratamento.
  • Plano individual, com metas funcionais combinadas com o paciente e a família.
  • Exercícios adaptados aos móveis e ao espaço disponível.
  • Orientação de adaptações simples na casa, quando necessárias.
  • Reavaliações periódicas para ajustar o plano.

A fisioterapia em domicílio segue as mesmas bases científicas do atendimento em clínica. O que muda é o cenário, e para muitas pessoas esse cenário favorece a regularidade e a transferência dos ganhos para o dia a dia.

Não é preciso ter uma casa grande nem equipamentos especiais. Um pequeno espaço livre, uma cadeira firme, uma parede, um degrau ou a própria escada do prédio já permitem um programa completo. Os materiais portáteis são levados pelo fisioterapeuta, e as orientações são adaptadas à rotina, aos horários e ao apoio disponível em cada casa.

Fisioterapeuta domiciliar e fisioterapeuta em domicílio

O fisioterapeuta domiciliar é o profissional com registro ativo no CREFITO que realiza o atendimento na casa do paciente. O fisioterapeuta em domicílio leva os materiais de avaliação e de tratamento necessários, como aparelho de pressão, oxímetro, faixas elásticas e recursos portáteis, e usa a própria casa como parte do treino.

  • Faz a avaliação e o diagnóstico cinético-funcional.
  • Define metas e técnicas com base em evidências.
  • Ensina, corrige e progride os exercícios.
  • Orienta a família e o cuidador.
  • Identifica sinais de alerta e encaminha ao médico quando necessário.
  • Comunica-se com a equipe médica, com o conhecimento do paciente.

O atendimento é coordenado pelo Dr. Moacir Rodolfo Muruci (CREFITO-2 16.513-F), fisioterapeuta com 30 anos de atendimento domiciliar, com equipe em diferentes regiões do Brasil.

Fisioterapia particular com fisioterapeuta particular

Na fisioterapia particular, o paciente ou a família contrata diretamente o atendimento, com horários combinados e atenção individual durante toda a sessão. O fisioterapeuta particular dedica a sessão a um único paciente, o que permite ajustar a intensidade, corrigir a execução dos exercícios e acompanhar de perto a evolução.

Planos de saúde podem cobrir parte dos atendimentos, conforme o contrato, e alguns permitem reembolso. Vale verificar antes a documentação exigida, como pedido médico e relatórios.

O número de sessões e a frequência não são definidos antes da avaliação. Eles dependem da gravidade, do tempo de evolução, da idade, de outras doenças, dos objetivos e da regularidade nos exercícios, e são revistos nas reavaliações.

Fisioterapeuta em casa e acompanhamento online

Além do fisioterapeuta em casa, parte do acompanhamento pode ser feita por teleconsulta e telemonitoramento, regulamentados pela Resolução COFFITO nº 516, de 2020. Para sequela de AVC (hemiplegia), o acompanhamento online pode complementar as visitas, revisando exercícios e estratégias com a participação do cuidador, desde que a segurança esteja garantida.

  • A avaliação inicial costuma ser presencial.
  • As sessões online servem para orientar, corrigir e progredir os exercícios entre as visitas.
  • Não substituem técnicas manuais nem situações que exigem a presença do fisioterapeuta.
  • Em pessoas com risco de queda, um familiar precisa estar presente.

Como a evolução é acompanhada

A evolução é medida com os mesmos testes da avaliação inicial, repetidos periodicamente, e com metas funcionais combinadas com o paciente: atividades concretas da rotina que ficaram difíceis por causa de sequela de AVC (hemiplegia). A comparação mostra, com dados, o que mudou.

  • Testes de movimento, força, equilíbrio ou respiração, conforme o caso.
  • Escalas de dor, de sintomas e de capacidade funcional.
  • Registro das atividades retomadas e das dificuldades que persistem.
  • Revisão da adesão ao programa de casa.

Com base nas reavaliações, o plano é mantido, ajustado ou encerrado. Quando a evolução não acontece como esperado, o fisioterapeuta revisa a estratégia, investiga fatores que podem estar atrapalhando, como sono, outras doenças e sobrecarga, e orienta nova avaliação médica quando necessário. Dias melhores e piores fazem parte do processo; o que importa é a tendência ao longo das semanas.

O papel da família e do cuidador

A família e o cuidador ajudam a manter a regularidade dos exercícios, a segurança nas atividades e a comunicação com a equipe. Na fisioterapia em casa, eles podem acompanhar parte das sessões e aprender como ajudar sem fazer pela pessoa aquilo que ela consegue fazer sozinha.

  • Incentivar e acompanhar o programa de exercícios.
  • Observar e informar mudanças, quedas, dores novas ou sinais de alerta.
  • Manter o ambiente organizado e seguro.
  • Cuidar também da própria saúde, com pausas e orientação de postura nos cuidados.

Como se preparar para a avaliação em casa

Alguns cuidados simples tornam a primeira visita mais produtiva e segura.

  • Separe exames de imagem, laudos, relatórios médicos e a lista atualizada de remédios.
  • Anote quando os sintomas começaram, o que piora, o que alivia e quais atividades ficaram difíceis.
  • Use roupa confortável, que permita movimentar o corpo e observar a região avaliada.
  • Deixe livre um espaço de cerca de dois por dois metros, com uma cadeira firme por perto.
  • Se possível, peça a um familiar ou cuidador que acompanhe a avaliação.
  • Prepare suas dúvidas e objetivos: o que você mais quer voltar a fazer.

Ao final da avaliação, o fisioterapeuta explica o que encontrou, combina as metas, sugere a frequência inicial das visitas, entrega as primeiras orientações e marca a data da primeira reavaliação.

Leia também

Perguntas frequentes

O que é sequela de AVC com hemiplegia?

É a perda total ou parcial de força e controle de um lado do corpo após um AVC, muitas vezes acompanhada de alterações de sensibilidade, equilíbrio, fala e espasticidade.

A pessoa volta a andar depois do AVC?

Muitas pessoas recuperam a marcha, com ou sem apoio, mas a evolução varia conforme a lesão, a idade e a reabilitação. Não há resultado garantido.

Até quando a fisioterapia ajuda após o AVC?

A recuperação é mais rápida nos primeiros meses, mas estudos mostram ganhos também anos depois, com treino adequado.

Fisioterapia em casa funciona para sequela de AVC?

Sim. Treinar nas situações reais da casa favorece a independência, e estudos mostram bons resultados da reabilitação domiciliar.

O que é espasticidade?

É o aumento do tônus muscular após a lesão cerebral, que deixa o braço dobrado e o pé apontado para baixo. Alongamentos, posicionamento, exercícios e tratamento médico ajudam a controlar.

Por que o ombro dói depois do AVC?

Por subluxação, espasticidade, lesões de tendões ou capsulite. Evitar puxar pelo braço afetado e apoiar o braço ajudam a prevenir.

Quais exercícios ajudam na hemiplegia?

Sentar e levantar, transferência de peso, marcha, degraus, alcance e manipulação de objetos com o braço afetado e atividades bimanuais.

Como o cuidador pode ajudar?

Aprendendo transferências seguras, estimulando o uso do lado afetado, dando tempo para a pessoa tentar sozinha e incentivando os exercícios.

Como reconhecer um novo AVC?

Boca torta, fraqueza súbita em um lado do corpo, fala alterada, perda de visão ou dor de cabeça súbita intensa. Ligue 192 imediatamente.

Como funciona a fisioterapia domiciliar para sequela de AVC (hemiplegia)?

O fisioterapeuta domiciliar faz uma avaliação completa na residência, define metas com o paciente e a família, realiza as sessões em casa com exercícios e técnicas indicadas e repete os testes periodicamente para ajustar o plano.

A fisioterapia em casa é tão eficaz quanto na clínica?

Na maioria dos casos, sim. Exercícios, treino funcional e grande parte das técnicas podem ser feitos em casa, com a vantagem de treinar no ambiente real. Quando um equipamento de grande porte é indispensável, o fisioterapeuta orienta a melhor alternativa.

Parte do tratamento pode ser online?

Pode, quando indicado. A teleconsulta e o telemonitoramento são regulamentados pelo COFFITO desde 2020 e servem para orientar e progredir os exercícios entre as visitas presenciais.

Referências consultadas

  • Winstein CJ, et al. Guidelines for adult stroke rehabilitation and recovery: a guideline for healthcare professionals from the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke, 2016.
  • Veerbeek JM, et al. What is the evidence for physical therapy poststroke? A systematic review and meta-analysis. PLOS One, 2014.
  • French B, et al. Repetitive task training for improving functional ability after stroke. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2016.
  • Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO). Resolução nº 516, de 2020. Teleconsulta, telemonitoramento e teleconsultoria.
  • Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO). Resolução nº 424, de 2013. Código de Ética e Deontologia da Fisioterapia.

Como agendar a avaliação em casa

Atendimento com fisioterapia domiciliar, fisioterapia em casa, fisioterapia em domicílio e fisioterapia particular, realizado por fisioterapeuta domiciliar, fisioterapeuta em casa, fisioterapeuta em domicílio e fisioterapeuta particular, com abrangência nacional.

Especialidades atendidas pela equipe: fisioterapia neurológica, vestibular, traumato-ortopédica, respiratória, reumatológica, oncológica, cardiovascular, geriátrica, pélvica e pediátrica.

  • Entre em contato pelo WhatsApp e conte o que está acontecendo.
  • Responda às perguntas da triagem, que verificam se há sinais que exigem avaliação médica antes.
  • Combine o dia e o horário da avaliação em casa.
  • Separe exames, laudos, relatórios e a lista de remédios.
  • Receba o plano inicial e as primeiras orientações.

📲 Agendar avaliação em casa pelo WhatsApp

Atendimento em casa com abrangência nacional e acompanhamento online quando indicado.

📲 Falar com a equipe pelo WhatsApp

Conteúdo escrito e revisado clinicamente por Dr. Moacir Rodolfo Muruci, fisioterapeuta (CREFITO-2 16.513-F), com 30 anos de atendimento domiciliar. Este texto é informativo e não substitui consulta médica ou fisioterapêutica individual.

bottom of page