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12 Mitos e Verdades sobre Tontura e Vertigem

Vertigem

Tem um padrão de chegada ao consultório que se repete. O paciente chega com pasta cheia de exames. Ressonância normal. Audiometria normal. Sangue normal. Mesmo assim a vertigem persiste por semanas ou meses. Não é simulação nem "coisa da cabeça". É que vertigem é, na maior parte das vezes, diagnóstico clínico — feito por testes posicionais, exame oculomotor e protocolo HINTS, não por exame de imagem. E essa avaliação especializada não está em laboratório.

Em RJ, atendo regularmente pacientes que passaram por esse percurso longo e frustrante. Uma vez que o diagnóstico funcional é estabelecido — e isso costuma ser possível já na primeira sessão — o protocolo de tratamento se torna direto. Em VPPB, é a Manobra de Epley. Em labirintite ou neurite, é o corticoide nas primeiras setenta e duas horas (com médico) seguido de fisioterapia precoce. Em PPPD, é um programa estruturado de dessensibilização vestibular. Cada caminho leva à melhora; o erro mais comum é misturar tudo. Sou Dr. Moacir Rodolfo Muruci, CREFITO 16513-F.

O sintoma e a causa

Vertigem é sintoma, não diagnóstico. Definir o que está acontecendo exige olhar três variáveis com atenção. Como começa: súbita ou gradual? Quanto dura: segundos, minutos, horas, contínua? O que provoca: mudar de posição da cabeça, ambiente visual complexo, esforço físico, espontânea sem gatilho? A combinação dessas três informações aponta, na maioria dos casos, para o diagnóstico provável já antes do exame físico.

O passo seguinte é o exame físico vestibular específico: testes posicionais como o Dix-Hallpike e o Roll Test, exame oculomotor (perseguição lenta, sacadas, nistagmo), protocolo HINTS. Sem esse exame, o tratamento de vertigem vira tentativa-erro com medicação. Para o paciente em LOC que busca clareza diagnóstica, esse é o caminho que recomendo. A reabilitação vestibular organiza esse processo.

Por que a vertigem aparece

Vertigem é sintoma de disfunção no sistema vestibular periférico (ouvido interno, nervo vestibular) ou central (tronco cerebral, cerebelo). No periférico, as causas mecânicas (VPPB) e inflamatórias (labirintite, neurite) dominam o quadro. No central, causas vasculares, neoplásicas e desmielinizantes são possíveis embora menos frequentes.

Fatores de risco gerais: idade (presbivestibulo cresce após os sessenta), sexo feminino (várias condições vestibulares têm preferência feminina), histórico de virose recente, trauma craniano, enxaqueca, diabetes, hipertensão, deficiência de vitamina D e B12. Em LOC, frequentemente identifico mais de uma causa contribuinte no mesmo paciente — especialmente em idosos. O tratamento integrado, que aborda todos os fatores ao mesmo tempo, é o que produz a melhor recuperação funcional.

O que perguntar antes de tratar

Para conduzir bem um caso de vertigem em RJ, preciso de três informações ao iniciar a consulta. Tempo: quanto dura cada crise — segundos, minutos, horas, contínua sem alívio? Gatilho: o que provoca — mudança de posição, ambiente visual complexo, esforço físico, espontânea sem qualquer aviso? Associação: o que vem junto com a vertigem — zumbido, perda auditiva, cefaleia pulsátil, alteração visual, palpitação cardíaca, sintomas neurológicos focais?

Vertigem de segundos provocada por movimento da cabeça, sem qualquer sintoma associado, é VPPB. Vertigem contínua de dias após virose, com zumbido e perda auditiva unilateral, é labirintite. Vertigem em crises de horas com plenitude aural recorrente é Ménière. Vertigem com cefaleia pulsátil e fotofobia em paciente com histórico familiar de enxaqueca é migrânea vestibular. Vertigem aguda intensa com qualquer sinal neurológico focal é emergência — vai ao pronto-socorro imediatamente.

Perguntas frequentes

Por que minha vertigem não passa com remédio?

Vertigem não é doença única; é sintoma de causas diferentes, cada uma com tratamento próprio. Antivertiginosos genéricos mascaram sintomas mas raramente tratam a causa — em VPPB, por exemplo, a Manobra de Epley resolve mecanicamente enquanto o medicamento apenas atenua a sensação.

Vertigem pode ser sinal de AVC?

Em casos raros sim, especialmente quando há sinais neurológicos focais associados. O protocolo HINTS, feito por profissional treinado, diferencia causa central de periférica com sensibilidade superior à tomografia nas primeiras vinte e quatro horas. Qualquer sinal neurológico focal exige avaliação de emergência.

Quanto tempo demora para melhorar?

Depende totalmente do diagnóstico. VPPB: primeira sessão. Labirintite ou neurite: quatro a oito semanas com tratamento adequado. PPPD: doze a vinte e quatro semanas. Adesão diária ao programa domiciliar é o principal preditor de desfecho favorável.

Vertigem ao virar a cabeça é sempre VPPB?

Quase sempre — em mais de oitenta por cento dos casos com gatilho posicional claro. Raramente pode ser canal lateral ou apresentação atípica. O Teste de Dix-Hallpike confirma o diagnóstico em poucos minutos.

Posso fazer exercícios físicos com vertigem crônica?

Em geral sim, e com benefício documentado. As exceções: na fase aguda de uma crise, repouso relativo por quarenta e oito horas; em casos de PPPD, o programa estruturado de dessensibilização substitui o exercício genérico.

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