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Andador com Rodas ou Fixo? Como Escolher e Usar

Andador com rodas e andador fixo — guia do Dr. Moacir Rodolfo Muruci

O andador é um dos equipamentos mais importantes para devolver a independência a quem tem dificuldade para andar. Mas também é um dos mais comprados de forma errada. Em 30 anos de atendimento domiciliar, perdi a conta de quantas vezes cheguei a uma casa e encontrei um andador com rodas para alguém que precisava de um fixo, um andador fixo para alguém que não conseguia levantá-lo, ou um andador na altura errada, fazendo o paciente andar curvado e com dor nos ombros.

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Neste guia completo, eu, Dr. Moacir Rodolfo Muruci (CREFITO-2 16.513-F), fisioterapeuta especialista em reabilitação domiciliar, explico as diferenças entre os tipos de andador, para quem cada um é indicado, como regular a altura, como andar, sentar, levantar e usar o banheiro com o andador, os erros mais comuns e quando o andador não é a melhor opção.

Resposta curta: o andador fixo, sem rodas, dá mais estabilidade e é indicado para quem tem muito desequilíbrio ou não pode apoiar todo o peso em uma perna, como depois de algumas cirurgias. O andador com rodas deixa a caminhada mais natural e rápida, e é indicado para quem tem equilíbrio razoável mas precisa de apoio, fôlego ou descanso. A escolha certa depende da avaliação de cada pessoa.

Quando o andador é indicado

  • Depois de cirurgias de quadril, joelho ou fratura de fêmur.
  • Depois de um AVC, quando há fraqueza ou desequilíbrio importante.
  • Em idosos com fraqueza nas pernas, quedas recentes ou medo de cair.
  • Na doença de Parkinson, em algumas fases, com o modelo certo.
  • Em pessoas com falta de ar que precisam parar para descansar, como na DPOC.
  • Na recuperação depois de uma internação longa, quando a pessoa ficou muito tempo acamada.

O andador dá mais estabilidade que a bengala porque o apoio é feito com as duas mãos e a base é bem maior. Por outro lado, deixa a caminhada mais lenta e exige espaço livre dentro de casa.

Os tipos de andador

Andador fixo (sem rodas)

Tem quatro pés com ponteiras de borracha. Para andar, a pessoa levanta o andador, coloca à frente, apoia e dá o passo. É o mais estável de todos, porque não rola.

Indicado para: quem tem desequilíbrio importante, quem não pode apoiar todo o peso em uma perna (conforme a orientação do cirurgião) e as primeiras fases da reabilitação depois de cirurgias.

Limitações: exige força nos braços para levantar o andador a cada passo, deixa a caminhada lenta e cansativa, e não é bom para quem tem pouca força nos braços ou falta de ar.

Andador articulado

É um andador sem rodas em que os lados avançam alternadamente, sem precisar levantar o andador inteiro. Pode facilitar para quem tem pouca força nos braços, mas exige coordenação e costuma ser menos estável que o fixo.

Andador com 2 rodas na frente

Tem rodas nos pés da frente e ponteiras nos de trás. A pessoa empurra o andador para frente sem levantar, e as ponteiras traseiras freiam o movimento quando ela apoia o peso. É um meio-termo muito usado: mais natural que o fixo e mais seguro que o de 4 rodas.

Indicado para: quem tem equilíbrio razoável, mas precisa de apoio contínuo, e para quem tem dificuldade de levantar o andador fixo.

Andador com 4 rodas e assento (rollator)

Tem quatro rodas, freios nos punhos e, geralmente, um assento para descansar e uma cesta. Permite a caminhada mais natural e rápida e é ótimo para distâncias maiores, na rua e em passeios.

Indicado para: quem tem equilíbrio razoável, consegue usar os freios com segurança e precisa parar para descansar, como idosos com pouco fôlego ou pessoas com DPOC.

Limitações: rola com facilidade. Não é indicado para quem tem desequilíbrio importante, apoia muito peso no andador ou tem dificuldade de coordenar os freios. Nunca deve ser usado para se levantar sem os freios travados.

Andador 4 pontos fixo

Andador 4 pontos fixo — ver no Mercado Livre

Andador fixo, sem rodas, com quatro pontos de apoio. Máxima estabilidade para as primeiras fases da reabilitação e para quem tem desequilíbrio importante.

Andador 4 rodas c/ assento

Andador 4 rodas c/ assento — ver no Mercado Livre

Andador com rodas, freios e assento para descanso, para quem tem equilíbrio razoável e caminha distâncias maiores.

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Como escolher: perguntas que o fisioterapeuta faz

  1. Quanto equilíbrio a pessoa tem? Muito desequilíbrio aponta para o fixo; equilíbrio razoável permite rodas.
  2. Pode apoiar todo o peso nas duas pernas? Se o cirurgião restringiu o apoio, o fixo costuma ser o mais seguro no início.
  3. Tem força nos braços para levantar o andador? Se não, o de 2 rodas pode ser melhor.
  4. Consegue coordenar os freios? Se não, o de 4 rodas é perigoso.
  5. Onde vai usar? Dentro de casa, com espaço reduzido, o fixo ou o de 2 rodas costumam ser mais práticos. Na rua, o de 4 rodas é mais confortável.
  6. Precisa descansar durante a caminhada? O assento do rollator faz diferença para quem tem pouco fôlego.
  7. A casa comporta o andador? Portas estreitas, degraus e tapetes podem inviabilizar alguns modelos.

Como regular a altura do andador

A altura errada é o erro mais comum que encontro. Andador baixo demais faz a pessoa andar curvada, com dor nas costas e nos ombros; alto demais tira a força do apoio e aumenta o risco de queda.

  1. Com a pessoa em pé, ereta, com os braços relaxados ao lado do corpo e calçada.
  2. Os punhos do andador devem ficar na altura do vinco do punho.
  3. Ao segurar, o cotovelo fica levemente dobrado, em torno de 15 a 30 graus.
  4. Os quatro pés devem estar na mesma altura, com as ponteiras em bom estado.

Como andar com o andador fixo

  1. Levante o andador e coloque-o à frente, a uma distância de cerca de um passo.
  2. Apoie os quatro pés no chão antes de dar o passo.
  3. Dê o passo com a perna operada ou mais fraca primeiro, até o meio do andador.
  4. Depois, traga a perna mais forte, apoiando o peso nas mãos conforme a orientação.
  5. Não entre demais no andador nem fique longe dele: o corpo deve ficar dentro da área do andador, sem se curvar.

Como andar com o andador com rodas

  1. Empurre o andador à frente, mantendo-o próximo ao corpo.
  2. Ande "dentro" do andador, com as costas eretas, sem se debruçar sobre ele.
  3. Olhe para frente, não para os pés.
  4. No de 4 rodas, use os freios para controlar a velocidade em descidas e sempre trave antes de parar ou sentar.

Como sentar e levantar com segurança

Para sentar

  1. Aproxime-se da cadeira até sentir o assento encostar na parte de trás das pernas.
  2. No andador de 4 rodas, trave os freios.
  3. Leve uma mão de cada vez do andador para os braços da cadeira.
  4. Sente devagar, com a perna operada um pouco à frente, se for o caso.

Para levantar

  1. Chegue para a beira da cadeira.
  2. Empurre-se com as mãos nos braços da cadeira, não no andador. O andador pode virar ou rolar.
  3. Fique em pé, equilibre-se e só então passe as mãos para o andador.

Levantar puxando o andador é uma das principais causas de queda com o equipamento.

Andador no banheiro e em casa

Treino de marcha com fisioterapeuta

O treino de marcha com o andador certo devolve segurança para caminhar.

  • O andador geralmente não cabe dentro do box. Para o banho, use cadeira de banho e barras de apoio.
  • No vaso sanitário, aproxime-se de costas com o andador, sente usando as barras ou os braços de um elevador de assento, e levante pelos apoios fixos.
  • Retire tapetes soltos e fios do caminho.
  • Deixe as passagens com pelo menos a largura do andador e um pouco de folga.
  • Uma cestinha ou bandeja acoplada ajuda a transportar objetos, já que as mãos estão ocupadas.

Escadas: andador não é para escada

O andador não deve ser usado para subir ou descer escadas. Em casas com degraus, o fisioterapeuta treina a subida e a descida com corrimão e, quando necessário, com bengala, e orienta ter um segundo andador no andar de cima. Pequenos degraus na entrada da casa podem exigir rampa ou treino específico.

Os erros mais comuns com o andador

  1. Comprar o modelo sem avaliação.
  2. Andador na altura errada.
  3. Andar curvado, longe do andador, empurrando-o muito à frente.
  4. Levantar da cadeira puxando o andador.
  5. Usar o andador de 4 rodas sem travar os freios para sentar.
  6. Ponteiras de borracha gastas, que escorregam.
  7. Carregar sacolas penduradas nas laterais, desequilibrando o andador.
  8. Tentar usar o andador na escada.
  9. Usar o andador para sempre, sem treino para evoluir para a bengala ou para a marcha independente, quando isso é possível.

Andador por situação

Depois de prótese de quadril ou joelho

No início, geralmente se usa o andador fixo ou de 2 rodas, seguindo a liberação de carga do cirurgião. Com a evolução, a pessoa passa para a bengala e depois para a marcha independente. Na prótese de quadril, há movimentos a evitar nos primeiros meses, conforme a técnica cirúrgica, e o fisioterapeuta orienta como sentar, deitar e levantar com segurança.

Depois de fratura de fêmur

É uma das situações em que o andador é mais usado. A reabilitação precoce, com treino de marcha e de transferências em casa, é fundamental para recuperar a independência e evitar complicações do tempo acamado.

Depois de um AVC

Nem todo paciente com AVC consegue usar o andador comum, porque uma das mãos pode estar fraca. Nesses casos, a bengala de 4 pontos ou um andador adaptado podem ser mais adequados. A escolha exige avaliação.

Doença de Parkinson

Algumas pessoas com Parkinson tendem a acelerar o passo e inclinar o corpo para frente. O andador com rodas pode "fugir" e aumentar o risco, enquanto modelos com freio ou com rodas mais controladas podem ajudar. É uma escolha delicada, que deve ser individual.

Idoso com fraqueza e pouco fôlego

O andador de 4 rodas com assento costuma ser o mais indicado, desde que a pessoa tenha equilíbrio e saiba usar os freios.

Sinais de que o andador está errado para a pessoa

Mesmo depois de comprado, vale observar a pessoa andando nos primeiros dias. Estes sinais indicam que o modelo, a regulagem ou a forma de uso precisam de ajuste:

  • Anda muito curvada para frente: o andador está baixo demais ou longe do corpo.
  • Ombros elevados e dor nos braços: o andador está alto demais.
  • O andador de rodas "foge" à frente: a pessoa não tem controle suficiente para esse modelo, ou está com pressa.
  • Cansa muito rápido com o andador fixo: pode ser falta de força nos braços ou de fôlego; o modelo com rodas pode ser melhor.
  • Tropeça nos pés do andador: está andando muito perto da barra da frente ou com passos desalinhados.
  • Arrasta o andador fixo em vez de levantar: desgasta as ponteiras e aumenta o risco de travar e desequilibrar.
  • Evita usar o andador em casa: muitas vezes, o espaço não comporta o modelo. Às vezes, é preciso reorganizar os móveis.

As etapas: da cadeira à bengala

Na reabilitação, o andador costuma ser uma fase, não o destino final. Uma sequência comum, que sempre depende da condição e da liberação médica de cada pessoa, é:

  1. Transferências seguras: sair da cama para a cadeira, da cadeira para o vaso, com ajuda.
  2. Marcha com andador fixo: distâncias curtas dentro de casa, com supervisão.
  3. Marcha com andador de rodas: mais fluida, com distâncias maiores.
  4. Marcha com bengala: quando o equilíbrio e a força permitem apoio com uma só mão.
  5. Marcha independente: dentro de casa primeiro, depois na rua.

Nem todas as pessoas passam por todas as etapas, e algumas precisarão do andador de forma permanente, especialmente em doenças progressivas. O importante é que a decisão seja baseada em avaliação, e não no hábito ou no medo.

Exercícios que ajudam a depender menos do andador

O andador dá segurança, mas quem devolve a independência são a força e o equilíbrio. Com orientação do fisioterapeuta, os exercícios mais usados nessa fase incluem:

  • Sentar e levantar da cadeira, diminuindo aos poucos o uso das mãos.
  • Ficar na ponta dos pés e nos calcanhares, segurando em um apoio firme.
  • Transferência de peso de uma perna para a outra, em pé, com apoio.
  • Marcha lateral ao longo da bancada da cozinha.
  • Subir e descer um degrau baixo, com corrimão.
  • Caminhadas curtas e frequentes ao longo do dia, em vez de uma única caminhada longa e cansativa.

Depois de cirurgias ortopédicas, respeitar os limites de carga e de movimento indicados pelo cirurgião é obrigatório.

Andador na rua, no carro e em passeios

Calçadas e meio-fio

Calçadas irregulares são um desafio. O andador de 4 rodas, com rodas maiores, costuma se sair melhor na rua. Para descer o meio-fio, a regra geral é aproximar-se da borda, colocar o andador no nível de baixo, travar os freios e descer com a perna mais fraca primeiro. Para subir, colocar o andador no nível de cima, travar e subir com a perna mais forte primeiro. Esse treino deve ser feito com o fisioterapeuta antes de ser feito sozinho.

Entrar e sair do carro

  1. Afaste o banco do carro o máximo possível para trás.
  2. Aproxime-se de costas para o banco, com o andador à frente.
  3. Sente primeiro, apoiando as mãos no banco e no painel, nunca na porta, que pode se mover.
  4. Gire o corpo e leve as pernas para dentro, uma de cada vez.
  5. Para sair, faça o caminho inverso e só pegue o andador depois de estar em pé e equilibrado.

A maioria dos andadores dobra para caber no porta-malas. Vale conferir o peso e o tamanho dobrado antes de comprar.

Passeios e consultas

Para quem se cansa, o assento do andador de 4 rodas permite parar e descansar no caminho, o que faz diferença em shoppings, consultas e caminhadas no bairro. Nunca se sente no assento com o andador destravado nem em superfícies inclinadas.

Checklist antes de comprar o andador

Fisioterapia de fortalecimento muscular para idosos

Fortalecer as pernas ajuda a evoluir do andador para a bengala.

  • O tipo foi indicado após avaliação (fixo, 2 rodas ou 4 rodas)?
  • A faixa de regulagem de altura atende à altura da pessoa?
  • O peso máximo suportado é compatível?
  • A largura passa pelas portas da casa, principalmente a do banheiro?
  • O andador dobra e cabe no carro da família?
  • No de 4 rodas: os freios são fáceis de acionar e travar para as mãos da pessoa?
  • As ponteiras e as rodas são de boa qualidade e têm reposição fácil?
  • Há espaço em casa para circular com ele sem tropeçar em móveis?

Perguntas que as famílias mais fazem

"Se ele usar o andador, vai ficar dependente?"

O andador bem indicado não cria dependência; ele permite que a pessoa se movimente com segurança enquanto recupera força e equilíbrio. O que gera dependência é o andador errado, sem treino e sem plano de evolução.

"Ela prefere se apoiar nos móveis. Tudo bem?"

Não é seguro. Móveis podem deslizar, virar ou não estar no lugar certo. "Móveis-bengala" são uma das causas de queda que mais vejo nas casas.

"Posso comprar um andador usado?"

Pode, desde que seja o tipo indicado, esteja em bom estado, com regulagem funcionando, ponteiras ou rodas íntegras e freios em ordem. Leve para a avaliação e peça ao fisioterapeuta para conferir.

"Quanto tempo leva para aprender a usar?"

O básico costuma ser aprendido em poucas sessões, mas a segurança em situações do dia a dia, como banheiro, portas, carro e rua, exige treino no próprio ambiente.

Como a família deve ajudar durante a caminhada

Quando o paciente ainda precisa de supervisão, a forma de ajudar faz diferença. O acompanhante deve ficar ao lado e levemente atrás da pessoa, do lado mais fraco, com uma mão próxima à cintura ou segurando um cinto de transferência, se o fisioterapeuta indicar. Nunca puxe a pessoa pelo braço, porque isso desequilibra e pode lesionar o ombro, especialmente depois de um AVC.

Dê tempo. A pressa é inimiga da segurança: muitas quedas acontecem quando a família apressa o paciente para chegar ao banheiro, atender a porta ou entrar no carro. Combine o trajeto antes, deixe o caminho livre e deixe a pessoa conduzir o próprio ritmo, com incentivo e sem fazer tudo por ela.

O andador à noite

Grande parte das quedas acontece de madrugada, no caminho até o banheiro. Deixe o andador posicionado ao lado da cama, na direção certa, com os freios travados no caso do modelo de rodas. Instale luz noturna no trajeto, sente-se na beira da cama e conte até 10 antes de levantar, e só então segure o andador. Para quem tem risco muito alto ou vai ao banheiro várias vezes por noite, uma cadeira higiênica ao lado da cama pode ser a alternativa mais segura durante a madrugada.

Manutenção do andador

  • Confira as ponteiras de borracha: gastas, devem ser trocadas.
  • Verifique se os pinos de regulagem de altura estão travados.
  • No de rodas, confira os freios e o estado das rodas.
  • Aperte parafusos e articulações soltas.
  • Mantenha o andador limpo e seco.

Quando o andador não é a melhor opção

Se a pessoa consegue andar com segurança com uma bengala, o andador pode deixá-la mais dependente do que precisa. Por outro lado, se nem com o andador ela anda com segurança, pode ser necessário usar cadeira de rodas para distâncias maiores, enquanto se treina a marcha. Veja também bengala tripé ou bengala comum: qual escolher e andador ou bengala: como escolher e ajustar.

O papel da fisioterapia domiciliar

Na casa do paciente, o fisioterapeuta escolhe o tipo de andador, regula a altura, treina a marcha no ambiente real, ensina a sentar, levantar, usar o banheiro e passar por portas e desníveis, orienta a família e planeja a evolução: do andador fixo para o de rodas, do andador para a bengala e, quando possível, para a caminhada sem apoio. Também trabalha força, equilíbrio e resistência, que são o que realmente devolve a independência.

São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre.

Leia também: casa segura para idosos: guia completo contra quedas.

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