Como aliviar a tontura na hora

A tontura chega sem pedir licença: no meio da rua, no ônibus, no banho, ao levantar da cama ou durante uma conversa. Nessa hora, ninguém quer uma aula sobre o labirinto. A pessoa quer saber uma coisa só: o que eu faço agora para isso passar e para eu não cair? Em 30 anos de atendimento domiciliar, ensinei centenas de pacientes e familiares a agir nesses primeiros minutos, e vi como saber o que fazer reduz o medo, evita quedas e encurta a crise.
Eu sou o Dr. Moacir Rodolfo Muruci (CREFITO-2 16.513-F), fisioterapeuta especialista em reabilitação vestibular e neurológica. Neste guia prático, explico passo a passo como aliviar a tontura na hora, de acordo com o tipo de sensação e com o lugar onde você está, como ajudar alguém em crise, o que não fazer, quando ligar para o SAMU e o que fazer depois para que as crises fiquem mais raras.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação. Ele não indica remédios nem doses: qualquer medicamento precisa de orientação médica.
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Resumo rápido para guardar no celular
- Pare e apoie-se. Sente ou deite onde estiver, longe de escadas, quinas e trânsito.
- Se tudo gira: olhos abertos, fixos em um ponto parado, cabeça quieta.
- Se a cabeça ficou leve e a vista escureceu: deite e eleve as pernas, ou cruze as pernas e contraia as coxas e o bumbum.
- Se veio com falta de ar e formigamento: respire devagar, inspirando em 4 tempos e soltando em 6.
- Água e um lanche leve ajudam quando a crise veio com calor, suor ou jejum.
- Só levante quando passar por completo, em etapas.
- Ligue 192 se houver fala enrolada, boca torta, fraqueza ou dormência de um lado, visão dupla, dificuldade para andar, dor de cabeça explosiva, dor no peito, falta de ar ou desmaio.
- Crises que se repetem têm causa e tratamento. Aliviar na hora é importante, mas tratar a causa é o que faz as crises pararem.
O que acontece no corpo durante a crise

Na crise, o cérebro recebe informações que não combinam entre labirinto, visão e corpo, ou recebe menos sangue do que precisa.
Entender, em poucas palavras, o que está acontecendo ajuda a escolher a medida certa. O equilíbrio depende de três fontes de informação, o labirinto no ouvido interno, a visão e os sensores do corpo, e de um cérebro bem irrigado de sangue, oxigênio e glicose. A crise de tontura acontece quando uma dessas peças falha de repente.
- Quando o labirinto envia um sinal errado, como na VPPB, na neurite vestibular ou na doença de Ménière, a sensação é de giro. O que alivia é dar ao cérebro uma referência estável, com os olhos fixos e a cabeça parada.
- Quando falta sangue ao cérebro por alguns segundos, como na queda de pressão ao levantar, na desidratação ou no desmaio vasovagal, a sensação é de cabeça leve e vista escurecendo. O que alivia é baixar a cabeça e levar o sangue de volta para ela, deitando com as pernas para cima.
- Quando a respiração acelera, como na ansiedade, o gás carbônico do sangue cai e surgem cabeça aérea e formigamento. O que alivia é respirar mais devagar.
- Quando falta glicose, vêm tremor, suor frio e fraqueza. O que alivia é comer ou beber algo com açúcar, se a pessoa estiver consciente.
Por isso, a primeira pergunta na hora da crise é: qual é a sensação? Se você ainda não sabe diferenciar, explico os tipos em sensação de tontura na cabeça: causas.
Antes de tudo: é emergência?
A maior parte das crises de tontura não é grave. Mas algumas são, e nelas cada minuto conta. Ligue imediatamente para o SAMU 192 se a tontura vier de forma súbita com qualquer um destes sinais:
- Fala enrolada, dificuldade para encontrar as palavras ou para entender.
- Boca torta, fraqueza ou dormência em um lado do rosto, do braço ou da perna.
- Visão dupla, perda de visão ou dificuldade para engolir.
- Incapacidade de ficar em pé ou de andar, mesmo com apoio, caindo para um lado.
- Dor de cabeça súbita e explosiva, a pior da vida.
- Dor no peito, palpitação forte, falta de ar ou desmaio.
- Tontura depois de pancada na cabeça, principalmente em quem usa anticoagulante.
- Confusão, sonolência excessiva ou convulsão.
- Várias pessoas da mesma casa com tontura, dor de cabeça e sonolência ao mesmo tempo, especialmente com aquecedor a gás ligado, o que pode indicar intoxicação por monóxido de carbono. Nesse caso, ventile o ambiente e leve todos para fora.
O teste rápido do AVC
Peça para a pessoa sorrir (a boca entorta?), levantar os dois braços (um cai?) e repetir uma frase simples (a fala sai enrolada?). Qualquer alteração: 192 e anote o horário em que os sintomas começaram. Explico esse reconhecimento em sintomas de AVC: como reconhecer e agir.
Enquanto o socorro não chega
- Deite a pessoa em local seguro, de lado se houver vômito.
- Não ofereça comida, bebida nem remédios.
- Não tente baixar a pressão com remédio por conta própria.
- Afrouxe roupas apertadas e mantenha o ambiente arejado.
- Separe documentos e a lista de remédios.
Se não há nenhum desses sinais, siga os passos a seguir.
Os 5 passos para aliviar a tontura na hora
Estes cinco passos valem para quase todas as crises sem sinais de alerta. Treine mentalmente e ensine a quem convive com você.
Passo 1: pare e apoie-se
Interrompa o que está fazendo. Segure em algo firme, como uma parede, um corrimão, uma mesa pesada ou o braço de alguém. Não tente "chegar até a cama" ou "terminar o que estava fazendo": a maior parte das lesões nas crises de tontura vem de quedas no caminho.
Passo 2: sente ou deite
Sente-se no chão, em uma cadeira firme ou em um degrau largo, de costas apoiadas. Se a sensação for de desmaio, deite-se. Quanto mais baixo o centro do corpo, menor o risco de queda. No chão, você não cai de lugar nenhum.
Passo 3: escolha a técnica pela sensação
- Giro: olhos abertos, fixos em um ponto parado a mais de um metro; cabeça quieta.
- Cabeça leve, vista escurecendo: deite e eleve as pernas, ou, sentado, cruze as pernas e contraia com força as coxas e o bumbum.
- Cabeça aérea, formigamento, falta de ar: respiração lenta, inspirando em 4 tempos e soltando em 6.
- Tremor, suor frio e fome: algo com açúcar, se estiver consciente; em diabéticos, medir a glicemia.
Passo 4: respire devagar
Mesmo que a causa não seja ansiedade, o susto da crise acelera a respiração e o coração, o que piora a sensação. Respirar devagar, soltando o ar por mais tempo do que puxou, ajuda o corpo a sair do estado de alarme.
Passo 5: espere passar e levante em etapas
Fique parado até a sensação passar por completo, e não apenas diminuir. Depois, sente-se por um minuto, fique em pé com apoio por mais um minuto e só então comece a andar, devagar e perto de apoio. Se a crise for diferente das anteriores, mais forte ou mais longa, ou se aparecer qualquer sinal de alerta, ligue 192.
Tudo gira: como aliviar a vertigem

Fixar o olhar em um ponto parado ajuda o cérebro a se orientar durante a vertigem.
Quando a sensação é de que você ou o ambiente estão girando, o labirinto ou as vias do equilíbrio estão enviando um sinal de movimento que não existe. O cérebro tenta compensar, e os olhos fazem movimentos involuntários, o nistagmo, que aumentam a sensação de giro e o enjoo.
O que alivia
- Olhos abertos e fixos em um ponto parado, como o canto de uma porta, um quadro na parede ou o horizonte. A visão estável dá ao cérebro uma referência que ajuda a reduzir o nistagmo e o giro.
- Cabeça parada. Cada movimento de cabeça pode reativar o sinal errado do labirinto.
- Posição confortável: sentado com as costas apoiadas ou deitado com a cabeça um pouco elevada. Algumas pessoas percebem que deitar sobre um lado alivia e sobre o outro piora; fique na posição que alivia.
- Ambiente calmo: pouca luz, pouco barulho, nada de telas.
- Se houver vômito, deite de lado, nunca de barriga para cima, para evitar engasgo. Pequenos goles de água depois que o vômito parar ajudam a evitar desidratação.
Olhos abertos ou fechados?
Nos primeiros segundos de uma vertigem intensa, muitas pessoas preferem fechar os olhos, e tudo bem. Mas, assim que possível, abra-os e fixe um ponto. Ficar muito tempo de olhos fechados, principalmente em pé, aumenta o desequilíbrio, porque tira do cérebro uma das três fontes de informação.
Quanto tempo dura
A duração ajuda a entender a causa. Giros de segundos, ao deitar ou virar a cabeça, sugerem VPPB. Crises de 20 minutos a horas, com ouvido tapado e zumbido, sugerem doença de Ménière. Crises de minutos a horas com incômodo com luz sugerem enxaqueca vestibular. Giro contínuo por dias, com vômitos, sugere neurite vestibular ou labirintite, mas precisa de avaliação médica rápida para descartar AVC, principalmente acima dos 50 anos ou com fatores de risco. Os sintomas da labirintite estão em sintomas de labirintite.
Se é VPPB, o alívio de verdade é a manobra

Na VPPB, a manobra de reposicionamento é o tratamento que elimina as crises.
Se a sua vertigem dura segundos e aparece sempre ao deitar, virar na cama, levantar ou olhar para cima, a causa mais comum é a VPPB, quando cristais do ouvido interno se deslocam para um dos canais. Na hora da crise, as medidas acima ajudam a atravessar os segundos de giro: pare o movimento, fixe o olhar, espere passar e mova a cabeça devagar.
Mas o alívio duradouro vem da manobra de reposicionamento, adequada ao canal e ao lado afetados, que resolve a maioria dos casos em poucas sessões. Ela não é feita "na hora da crise" por conta própria: precisa de diagnóstico com testes posicionais. Fazer a manobra errada, vista em vídeo, pode não resolver e provocar crises e quedas. Explico em VPPB: o que é e como tratar, em manobra de Epley: como é feita e em tontura ao deitar.
Enquanto a manobra não é feita
- Levante-se da cama em etapas: role de lado, sente na beira, espere, e só então fique em pé.
- Evite olhar muito para cima e abaixar a cabeça rapidamente.
- Deixe os objetos de uso diário em prateleiras de altura média.
- Use luz noturna e mantenha o caminho até o banheiro livre.
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Cabeça leve e vista escurecendo: o que fazer
Quando a sensação é de que você vai desmaiar, com vista escurecendo, cabeça oca, fraqueza, calor, suor frio e palidez, o cérebro está recebendo menos sangue por alguns segundos. É a chamada pré-síncope. As causas mais comuns são queda de pressão ao levantar, desidratação, calor, jejum, ficar muito tempo em pé, emoção forte ou dor, e efeito de remédios para pressão.
O que alivia na hora
- Deite-se e eleve as pernas, apoiando-as em uma cadeira, em almofadas ou na parede. Isso ajuda o sangue a voltar para a cabeça em poucos segundos.
- Se não puder deitar, sente-se e abaixe o tronco, levando a cabeça em direção aos joelhos, segurando-se para não cair.
- Manobras de contrapressão: cruzar as pernas com força e contrair coxas, barriga e bumbum; ou entrelaçar os dedos e puxar os braços para fora com força; ou apertar uma bola ou o próprio punho. Essas manobras aumentam a pressão por alguns instantes. Um estudo clínico publicado em 2006 no Journal of the American College of Cardiology mostrou que o treino dessas manobras reduziu desmaios em pessoas com síncope vasovagal. Use-as ao primeiro sinal da crise, sentado ou deitado de preferência.
- Afrouxe roupas apertadas e procure ar fresco.
- Água, se a crise veio com calor, suor ou muitas horas sem beber, desde que a pessoa esteja consciente.
- Fique deitado alguns minutos depois que a sensação passar, e levante em etapas.
Atenção a estes sinais
- Desmaio durante esforço físico, deitado ou sem nenhum aviso.
- Palpitação forte, dor no peito ou falta de ar.
- História familiar de morte súbita.
- Desmaios que se repetem.
Nesses casos, a avaliação cardiológica é necessária, e na presença de dor no peito, falta de ar ou desmaio prolongado, ligue 192.
Para prevenir a próxima vez
- Levante em três tempos: mexa os pés na cama, sente por um minuto, fique em pé com apoio.
- Beba água ao longo do dia, salvo restrição médica.
- Evite ficar muito tempo em pé parado; se precisar, contraia e relaxe as panturrilhas.
- Evite banhos muito quentes e demorados.
- Leve ao médico a lista de remédios e as medidas de pressão deitado e em pé.
Tremor, suor frio e fome: pode ser glicose baixa
Quando a tontura vem com tremor, suor frio, fome intensa, coração acelerado, irritação ou dificuldade de concentração, a glicose pode ter caído. Isso acontece com jejum prolongado, exercício sem alimentação, álcool em jejum e, principalmente, em quem usa insulina ou alguns remédios para diabetes.
- Se a pessoa está consciente e consegue engolir: ofereça algo com açúcar de absorção rápida, como suco de fruta, um pouco de açúcar dissolvido em água ou balas, e depois um lanche.
- Em diabéticos: meça a glicemia, se possível, e siga o plano de hipoglicemia combinado com o médico.
- Se a pessoa está confusa, sonolenta, desmaiada ou convulsionando: não dê nada pela boca. Ligue 192.
Crises de tontura por glicose baixa que se repetem precisam de avaliação médica, principalmente em quem usa remédios para diabetes.
Tontura com ansiedade: como acalmar o corpo
Quando a tontura vem com coração disparado, respiração curta, aperto no peito, formigamento nas mãos e ao redor da boca e sensação de irrealidade, a respiração acelerada da ansiedade pode estar por trás. Ela reduz o gás carbônico do sangue, contrai os vasos do cérebro e provoca cabeça aérea. A boa notícia é que o corpo responde rápido a algumas técnicas.
Respiração 4-6
Sente-se com as costas apoiadas. Inspire pelo nariz contando até 4, levando o ar para a barriga, e solte pela boca, devagar, contando até 6, como se soprasse uma vela sem apagá-la. Repita por 3 a 5 minutos. Soltar o ar por mais tempo do que puxou ajuda a desacelerar o coração e reduz a hiperventilação.
Ancoragem nos sentidos (5-4-3-2-1)
Nomeie em voz baixa cinco coisas que você vê, quatro que você toca, três que você ouve, duas que você cheira e uma que você sente o gosto. Isso tira o foco da sensação de tontura e ajuda o cérebro a se reorientar no ambiente.
Apoio no chão
Sentado, pressione os pés no chão e as mãos nas coxas. Perceber o contato firme com o chão dá ao cérebro informações de estabilidade.
Fale com alguém
Ligar para uma pessoa de confiança ou conversar com quem está por perto ajuda a reduzir a sensação de ameaça.
Não fuja, mas não force
Se a crise aconteceu em um lugar como o supermercado, sente-se em local seguro até passar. Sair correndo reforça o medo do lugar; ficar parado em segurança, respirando, ensina ao cérebro que a crise passa.
Importante: dor no peito, falta de ar intensa, desmaio ou sinais neurológicos exigem avaliação médica imediata, mesmo em quem tem ansiedade conhecida. O diagnóstico de tontura por ansiedade só é feito depois de afastar causas físicas. Quando a tontura de balanço se torna quase diária depois de uma crise, o quadro pode ser a PPPD, explicada em PPPD, a tontura postural perceptual persistente.
Tontura com enjoo: o que ajuda

O enjoo acompanha muitas crises do labirinto e costuma melhorar quando a cabeça fica parada.
O enjoo é um dos sintomas mais desconfortáveis da crise de tontura. Ele acontece porque o labirinto e o centro do vômito no cérebro estão ligados. Algumas medidas ajudam:
- Cabeça parada e olhos fixos em um ponto, se houver giro.
- Ar fresco: janela aberta, ventilador suave, ambiente sem cheiros fortes.
- Posição: sentado com o tronco um pouco elevado ou deitado de lado.
- Pequenos goles de água gelada ou de bebida sem gás, depois que o vômito parar, para evitar desidratação.
- Nada de comida pesada durante a crise; depois, alimentos leves, como bolachas simples.
- Gengibre: há alguma evidência de efeito no enjoo, mas ele não trata a causa da tontura, e quem usa anticoagulante ou é gestante precisa de orientação antes de usar.
- Remédio para enjoo só com orientação médica. Se você já tem um remédio de crise prescrito, use exatamente como orientado.
Quando o vômito preocupa
- Vômitos que não param por horas, com sinais de desidratação: boca muito seca, pouca urina, fraqueza intensa, confusão.
- Vômitos com dor de cabeça forte, rigidez na nuca, febre ou sinais neurológicos.
- Vômitos depois de pancada na cabeça.
Nesses casos, procure atendimento ou ligue 192. Sobre o papel e os riscos dos remédios para enjoo e tontura, escrevi o guia o que tomar para tontura.
Tontura com dor de cabeça ou enxaqueca
Quando a tontura vem junto com dor de cabeça latejante, incômodo com luz, barulho e cheiros, ou quando você tem histórico de enxaqueca, a crise pode ser de enxaqueca vestibular. O que ajuda na hora:
- Escuro e silêncio: vá para um ambiente com pouca luz e pouco barulho.
- Nada de telas: celular, televisão e computador costumam piorar a crise.
- Repouso com a cabeça apoiada, sem movimentos bruscos.
- Compressa fria na testa ou na nuca, se trouxer alívio.
- Água e um lanche leve, se a crise veio depois de jejum ou pouca água.
- Remédio de crise só se prescrito pelo médico, sem exagerar na frequência: o uso excessivo de analgésicos pode tornar a dor quase diária.
Atenção: dor de cabeça súbita e explosiva, a pior da vida, com tontura, ou dor de cabeça com fala alterada, fraqueza, visão dupla, febre e rigidez na nuca é emergência: 192. Explico as causas dessa combinação em tontura e dor de cabeça: o que pode ser.
No calor e depois de exercício
Calor, sol forte, ambientes abafados e exercício intenso fazem o corpo perder água e sal pelo suor, dilatam os vasos e baixam a pressão. A tontura costuma vir com cabeça leve, sede, boca seca, cansaço e, às vezes, dor de cabeça.
O que fazer na hora
- Pare a atividade e vá para a sombra ou um lugar fresco.
- Sente-se ou deite com as pernas elevadas.
- Afrouxe roupas e molhe o rosto, a nuca e os braços com água fresca.
- Beba água em goles, se estiver consciente. Em suor intenso ou diarreia, soluções de reidratação oral ajudam, conforme orientação.
- Depois de correr, não pare de uma vez: diminua o ritmo aos poucos, porque parar bruscamente faz o sangue se acumular nas pernas.
Quando é emergência
Confusão, pele muito quente e seca, vômitos, convulsão ou desmaio depois de exposição ao calor podem indicar insolação, que é emergência: ligue 192 e resfrie a pessoa enquanto aguarda. Tontura ou desmaio durante o esforço, e não depois, com dor no peito ou palpitação, pede avaliação cardiológica antes de voltar a treinar.
Onde você está muda o que fazer
Os passos básicos são os mesmos, mas o lugar onde a crise acontece exige alguns cuidados extras.
Na rua
Afaste-se do meio-fio e do trânsito. Sente-se em um banco, na calçada encostado em uma parede ou mesmo no chão. Peça ajuda a quem estiver perto: diga que está com tontura e precisa de alguns minutos sentado. Não atravesse a rua até a sensação passar por completo.
No ônibus, metrô ou trem
Sente-se, de preferência em assento preferencial, ou segure firme em uma barra com as duas mãos. Olhe para um ponto fixo dentro do veículo ou para o horizonte pela janela. Se a crise for forte, desça na próxima parada com cuidado e sente-se na plataforma. Nunca desça com o veículo em movimento.
Dirigindo
Ao primeiro sinal, ligue o pisca-alerta, reduza a velocidade e pare em local seguro assim que possível. Desligue o carro, recline um pouco o banco e espere passar por completo. Se as crises se repetem, não dirija até ter avaliação e liberação médica.
No trabalho
Afaste-se de máquinas, escadas, altura e ferramentas. Sente-se, avise um colega e espere. Combine com a chefia um plano para crises, se elas forem frequentes.
No banho, na cama e na escada
No banho
O banho é um dos momentos de maior risco, porque junta piso molhado, água quente que dilata os vasos e movimentos de cabeça para lavar o cabelo. Se a tontura aparecer:
- Desligue o chuveiro ou deixe a água morna, segure na barra de apoio e sente-se, se houver cadeira de banho, ou abaixe-se devagar até sentar no chão do box.
- Abra a porta do box, se puder, para entrar ar fresco.
- Chame alguém da casa. Mantenha a porta do banheiro destrancada.
- Só levante quando passar, com apoio.
Prevenção: tapete antiderrapante dentro e fora do box, barras de apoio, água morna, banho mais curto e cadeira de banho para quem tem crises frequentes.
Na cama e de madrugada
Se a tontura aparece ao virar na cama ou ao deitar, fique parado, de olhos abertos, até passar. Se você precisa levantar de madrugada para ir ao banheiro, faça em três tempos: mexa os pés na cama, sente na beira por um minuto, fique em pé com apoio e só então caminhe, com luz acesa e calçado firme. Esse é o horário em que muitas quedas acontecem, principalmente em idosos e em quem usa remédios para dormir ou para pressão.
Na escada
Segure firme no corrimão com as duas mãos, se possível, e sente-se no degrau, virado para baixo, encostado na parede. Não tente terminar de subir ou descer. Espere passar e continue devagar, um degrau de cada vez.
Em lugares cheios ou com muito estímulo visual
Supermercados, shoppings e lugares com muitas pessoas e luzes podem disparar ou piorar a tontura em quem tem PPPD ou enxaqueca vestibular. Encoste em uma parede ou no carrinho, fixe o olhar em um ponto parado, respire devagar e, se precisar, sente-se. Depois, com orientação, a exposição gradual a esses ambientes faz parte do tratamento.
Como ajudar alguém em crise de tontura

Familiares e cuidadores que sabem agir reduzem o risco de quedas e de atraso no socorro.
Familiares, cuidadores e colegas de trabalho fazem grande diferença. Se você presenciar uma crise:
- Aproxime-se com calma e ofereça apoio físico, segurando por baixo do braço ou pela cintura.
- Ajude a pessoa a sentar ou deitar no lugar mais seguro e próximo. Não tente levá-la longe.
- Pergunte e observe: o que ela sente? A fala está normal? A boca está torta? Consegue levantar os dois braços? Tem dor no peito ou falta de ar?
- Diante de qualquer sinal de alerta, ligue 192 e anote o horário de início.
- Sem sinais de alerta, ajude a aplicar as técnicas: olhar fixo, respiração lenta, pernas elevadas se a sensação for de desmaio.
- Ofereça água apenas se a pessoa estiver consciente e sem dificuldade para engolir.
- Fique por perto até a crise passar e ajude a levantar em etapas.
Se a pessoa caiu
- Não a levante de qualquer jeito. Verifique se está consciente, se há dor forte, deformidade, sangramento ou batida na cabeça.
- Se houver dor intensa, incapacidade de mexer uma perna, batida na cabeça em quem usa anticoagulante, confusão ou sinais neurológicos, não mova a pessoa e ligue 192.
- Sem sinais de gravidade, ajude-a a rolar de lado, ficar de quatro apoios, apoiar-se em uma cadeira firme e levantar em etapas.
- Registre a queda e conte ao médico e ao fisioterapeuta: toda queda é um sinal de que algo precisa ser ajustado.
O que não fazer na hora da tontura
Algumas atitudes muito comuns, feitas por impulso ou com boa intenção, pioram a crise ou aumentam o risco de queda:
- Tentar caminhar até a cama ou o sofá. Sente-se onde estiver.
- Fechar os olhos e ficar em pé. Sem a visão, o equilíbrio piora muito.
- Girar a cabeça para "testar" se passou. Isso reativa a crise.
- Levantar rápido assim que melhora um pouco.
- Tomar vários comprimidos, emprestados ou guardados de receitas antigas.
- Dirigir, andar de bicicleta ou subir em escadas e bancos enquanto houver sintomas.
- Tomar banho quente e demorado logo depois da crise.
- Beber álcool para relaxar.
- Fazer manobras de vídeo sem saber qual canal e qual lado estão afetados.
- Ficar no celular durante a crise, rolando a tela.
- Ignorar uma crise diferente das anteriores, mais forte, mais longa ou com sintomas novos.
- Dar comida, bebida ou remédio a quem está confuso, sonolento ou com dificuldade para engolir.
Para uma visão geral do que ajuda e do que atrapalha na rotina, além da crise, veja o que é bom para tontura (e o que não é).
E o remédio na hora da crise?
Muita gente pergunta qual remédio tomar para aliviar a tontura na hora. Este guia não indica remédios nem doses, por um motivo simples: o que ajuda depende da causa, e os remédios mais usados têm riscos.
- Os supressores vestibulares, como alguns anti-histamínicos e calmantes, podem aliviar crises fortes com vômitos, por poucos dias, quando prescritos. Causam sonolência e aumentam o risco de quedas, principalmente em idosos, e o uso contínuo atrasa a recuperação.
- Na VPPB, o remédio não resolve: a manobra resolve.
- Na queda de pressão, o problema pode ser o excesso de remédio para pressão.
- Na enxaqueca vestibular, o tratamento segue a lógica da enxaqueca, com o neurologista.
Se o seu médico já prescreveu um remédio de crise, use exatamente como orientado e anote quando usou. Se você precisa dele com frequência cada vez maior, volte ao médico. Explico o papel e os riscos de cada grupo em o que tomar para tontura e em Dramin é bom para tontura?.
Depois que a crise passa: os próximos minutos
A crise passou, mas o corpo ainda está se reorganizando. Nos minutos e horas seguintes:
- Levante em etapas e caminhe devagar, perto de apoio.
- Hidrate-se e coma algo leve, principalmente se houve vômito ou se a crise veio com jejum.
- Evite dirigir, subir em escadas ou bancos e atividades de risco pelo resto do dia, se a crise foi forte.
- Uma sensação de cabeça pesada, cansaço e insegurança por algumas horas é comum depois da crise, principalmente na VPPB e na enxaqueca. Isso não é motivo para ficar deitado o dia todo: movimente-se com cuidado, dentro do possível.
- Meça a pressão, se tiver aparelho, e anote.
- Procure avaliação se as crises se repetem, se foi a primeira crise forte, ou se houve queda.
Anote a crise
Registre: data, horário, duração, tipo de sensação (giro, cabeça leve, aérea), o que estava fazendo, sintomas que vieram junto (enjoo, zumbido, ouvido tapado, dor de cabeça, palpitação), o que ajudou e se houve queda. Esse registro encurta muito o caminho até o diagnóstico.
Por que a crise passa: como o cérebro compensa
Entender por que a crise passa ajuda a ter menos medo dela. O cérebro tem uma capacidade enorme de se ajustar a sinais errados do labirinto. Quando um dos labirintos envia uma informação diferente da do outro, os centros do equilíbrio no tronco cerebral e no cerebelo começam, em poucos minutos ou horas, a "baixar o volume" do sinal errado e a dar mais peso à visão e aos sensores do corpo. É por isso que a vertigem intensa vai diminuindo, mesmo antes de a causa ser tratada.
Esse processo, chamado compensação vestibular, depende de estímulo: o cérebro precisa receber os sinais do movimento para aprender a corrigi-los. Por isso, depois que a fase mais intensa passa, ficar deitado por dias e usar remédios que "freiam" o labirinto por longos períodos atrasam a recuperação. Já o movimento gradual e os exercícios de reabilitação aceleram. Na hora da crise, você protege o corpo; nos dias seguintes, você ajuda o cérebro a aprender.
Tontura na doença de Ménière: o que fazer na crise
Na doença de Ménière, as crises de vertigem duram de 20 minutos a 12 horas e vêm com ouvido tapado, zumbido e perda de audição flutuante no mesmo lado. Muitas pessoas percebem sinais de aviso, como aumento do zumbido ou sensação de ouvido cheio, minutos antes do giro.
- Ao primeiro aviso, sente ou deite em local seguro. Se estiver dirigindo ou em atividade de risco, pare.
- Durante a crise, deite na posição mais confortável, com a cabeça apoiada, olhos abertos fixos em um ponto ou fechados nos primeiros minutos, em ambiente escuro e silencioso.
- Se houver vômito, fique de lado e tome pequenos goles de água quando parar.
- Remédio de crise, se o otorrinolaringologista prescreveu, conforme a orientação.
- Depois, descanse, hidrate-se e anote a crise com audição e zumbido.
Perda auditiva súbita, com ou sem tontura, exige atendimento no mesmo dia.
Tontura em quem já teve AVC
Quem já teve um AVC pode ter instabilidade como sequela, e isso é diferente de uma tontura nova. Na hora:
- Tontura nova, súbita, com piora da fala, da força, da visão, da coordenação ou dor de cabeça forte, pode ser um novo AVC: 192 imediatamente, e anote o horário.
- Instabilidade conhecida, igual à de sempre, pede as medidas de segurança: sentar, apoiar, usar o dispositivo de marcha indicado.
- Tontura ao levantar pode estar ligada aos remédios para pressão, que são essenciais na prevenção de um novo AVC; não os suspenda, mas converse com o médico.
Explico os tipos de AVC e a recuperação em o que é AVC: tipos, sintomas e tratamento.
Tontura em quem tem doença de Parkinson
Na doença de Parkinson, a tontura ao levantar é frequente, por queda de pressão ligada à própria doença e a alguns remédios. Além disso, há risco de congelamento da marcha e quedas. Na hora: sentar ou deitar com as pernas elevadas, beber água se estiver consciente, levantar em etapas e manter apoio por perto. Para prevenir: hidratação, refeições menores, levantar devagar e revisão médica dos horários dos remédios. O treino de marcha e de equilíbrio com fisioterapia neurológica reduz o risco de quedas.
Tontura depois de uma pancada na cabeça
Tontura depois de uma batida na cabeça, mesmo sem desmaio, merece atenção. Ligue 192 ou procure atendimento imediato se houver vômitos repetidos, sonolência crescente, confusão, convulsão, dor de cabeça que piora, fraqueza, alteração da fala ou da visão, ou se a pessoa usa anticoagulante ou é idosa. Sem esses sinais, observe por 24 a 48 horas, com alguém por perto, e procure avaliação se a tontura persistir. Depois de uma concussão, a reabilitação vestibular e o retorno gradual às atividades ajudam a recuperar o equilíbrio.
Tontura diante de telas: como aliviar
Rolar a tela rapidamente, assistir a vídeos com muito movimento, jogar games ou passar horas em videochamadas pode provocar tontura e enjoo, principalmente em quem tem enxaqueca vestibular, PPPD ou compensação vestibular incompleta. O olho percebe movimento, mas o labirinto informa que o corpo está parado, e o cérebro entra em conflito.
- Na hora: desvie o olhar da tela para um ponto distante e parado, respire devagar e, se necessário, feche os olhos por alguns segundos.
- Faça pausas: a cada 20 minutos, olhe por 20 segundos para algo distante.
- Ajuste a tela: brilho confortável, fonte maior, menos animações, tela na altura dos olhos.
- Evite rolagem rápida e vídeos em movimento nos dias de mais sintoma.
- Exercícios de habituação visual, orientados pelo fisioterapeuta, reduzem a sensibilidade aos poucos.
Tontura depois de beber
Depois do álcool, a combinação de cabeça pesada, enjoo e giro ao deitar vem da desidratação, da queda de glicose e de mudanças temporárias no líquido do labirinto. O que ajuda na hora: sentar ou deitar com a cabeça um pouco elevada, apoiar um pé no chão se a sensação de giro aparecer ao deitar, beber água em goles e comer algo leve, se a pessoa estiver consciente. Nunca deixe sozinha uma pessoa muito embriagada e sonolenta: deite-a de lado para evitar engasgo com vômito. Confusão intensa, dificuldade para acordar, respiração lenta ou irregular e convulsão são emergência: 192.
Tontura à noite: como voltar a dormir
Acordar de madrugada com tontura assusta e tira o sono. Na hora: acenda uma luz fraca, sente-se na cama com as costas apoiadas, fixe o olhar em um ponto e respire devagar. Se precisar ir ao banheiro, levante em três tempos e com calçado firme. Depois que passar, deite devagar, de preferência com a cabeça um pouco elevada, e evite virar bruscamente. Se os giros aparecem ao virar na cama, a avaliação para VPPB é o passo mais importante. Para voltar a dormir, a respiração lenta e o ambiente escuro e silencioso ajudam mais do que olhar o celular.
Como saber se você está melhorando
Avaliar a evolução ajuda a manter a motivação e mostra ao médico e ao fisioterapeuta se o tratamento está funcionando. Algumas formas simples:
- Frequência: quantas crises por semana ou por mês, comparando com o mês anterior.
- Duração: as crises estão mais curtas?
- Intensidade: de 0 a 10, quanto incomodou cada crise?
- Impacto: você voltou a fazer atividades que evitava, como sair sozinho, fazer compras, dirigir?
- Quedas: diminuíram ou pararam?
- Remédios: a necessidade de remédio de crise diminuiu?
O fisioterapeuta também usa testes e questionários padronizados de tontura e equilíbrio para medir a evolução de forma objetiva.
Checklist: o que fazer a partir de hoje
- Salve no celular os sinais de alerta e o número 192.
- Treine a respiração 4-6 duas vezes ao dia.
- Defina onde sentar em cada cômodo e deixe cadeiras firmes nesses pontos.
- Instale luz noturna, tapete antiderrapante e barras de apoio no banheiro.
- Monte o seu kit de crise e o seu plano escrito.
- Comece a anotar as crises.
- Leve a lista de remédios para revisão médica.
- Agende uma avaliação com quem sabe examinar a tontura, em casa ou online.
Tontura em quem tem diabetes: na hora
Em quem tem diabetes, toda crise de tontura merece uma pergunta rápida: pode ser glicose baixa? Tremor, suor frio, fome, coração acelerado, irritação e confusão sugerem hipoglicemia, principalmente em quem usa insulina ou alguns remédios orais, pulou uma refeição, fez exercício sem se alimentar ou bebeu álcool.
- Meça a glicemia, se tiver o aparelho por perto.
- Se estiver baixa e a pessoa consciente, siga o plano de hipoglicemia combinado com o médico, com uma fonte de açúcar de absorção rápida, e depois um lanche.
- Se a pessoa estiver confusa, sonolenta ou desmaiada, não dê nada pela boca e ligue 192.
- Se a glicemia estiver normal, pense em outras causas, como queda de pressão ao levantar, que também é comum em diabéticos de longa data.
Crises repetidas pedem revisão do tratamento com o médico.
Pressão baixa crônica: o que ajuda na crise
Algumas pessoas têm pressão naturalmente baixa e sentem cabeça leve com frequência, principalmente ao levantar, no calor, depois de refeições grandes e ao ficar muito tempo em pé. Na hora: deitar com as pernas elevadas, manobras de contrapressão, água e ambiente fresco. Para prevenir: beber água ao longo do dia, fazer refeições menores, levantar em etapas, evitar ficar parado em pé por muito tempo, contrair as panturrilhas quando precisar ficar em pé e conversar com o médico sobre medidas específicas, como meias de compressão e ajustes de sal, que são individuais.
Tontura no ciclo menstrual e na menopausa
Algumas mulheres percebem crises de tontura em fases específicas do ciclo menstrual, principalmente nos dias antes ou durante a menstruação, quando a queda hormonal favorece crises de enxaqueca e de enxaqueca vestibular. Menstruação intensa também pode levar à anemia, com cabeça leve ao levantar. Na perimenopausa e na menopausa, ondas de calor, sono fragmentado e mudanças no padrão da enxaqueca podem somar tontura, e a VPPB é mais frequente. Na hora, as técnicas são as mesmas; para prevenir, vale anotar as crises junto com o ciclo e conversar com o ginecologista e com o médico assistente.
Quem usa calmantes ou remédios para dormir
Calmantes e remédios para dormir podem deixar a pessoa mais lenta e instável, principalmente de madrugada e ao acordar. Se a tontura aparecer nesse período, sente-se imediatamente e só levante com apoio e luz acesa. Não tome mais um comprimido para "relaxar" durante a crise. Converse com o médico sobre a real necessidade do remédio, o horário e a possibilidade de redução gradual, e mantenha as medidas de segurança da casa enquanto houver uso.
Quem trabalha muito tempo em pé
Comerciários, cabeleireiros, cozinheiros, profissionais de saúde e outros trabalhadores que passam horas em pé, às vezes em ambientes quentes, têm mais crises de cabeça leve por acúmulo de sangue nas pernas e desidratação. No trabalho:
- Ao primeiro sinal, sente-se ou apoie-se e contraia as panturrilhas e as coxas.
- Tenha água por perto e beba ao longo do expediente.
- Faça pausas para sentar e movimentar as pernas.
- Não pule refeições.
- Use calçado confortável e, se indicado, meias de compressão.
Se as crises se repetem, a avaliação médica e uma conversa com a empresa sobre pausas e adaptações ajudam a trabalhar com segurança.
Tontura com zumbido ou ouvido tapado
Quando a crise vem com zumbido, ouvido tapado ou mudança na audição, o ouvido interno está envolvido. Na hora, as técnicas para o giro valem: sentar ou deitar, cabeça quieta, olhar fixo, ambiente calmo. Anote de que lado está o zumbido e se a audição mudou. Perda auditiva súbita, com ou sem tontura, é urgência: procure atendimento no mesmo dia, porque o tratamento precoce faz diferença. Crises repetidas com esses sintomas pedem avaliação com otorrinolaringologista e audiometria.
No cabeleireiro, no dentista e no exame
Algumas pessoas sentem tontura ao inclinar a cabeça para trás no lavatório do salão, na cadeira do dentista ou ao deitar para um exame. Na maioria das vezes, isso acontece por VPPB, porque a posição da cabeça para trás movimenta os cristais soltos no ouvido interno. Na hora: peça para levantar a cabeça devagar, sente-se, fixe o olhar e espere passar antes de levantar. Para as próximas vezes, avise o profissional e peça para lavar o cabelo inclinado para a frente ou para ajustar o encosto. Se a tontura nessa posição vier com visão dupla, fala alterada, fraqueza ou dormência, é emergência. Tontura repetida ao inclinar a cabeça merece avaliação para VPPB.
Na academia, no pilates e na hidroginástica
Durante a atividade física, a tontura pode surgir por mudanças rápidas de posição, exercícios deitado com a cabeça para trás, giros, prender a respiração no esforço, desidratação, calor ou falta de alimentação. Na hora: pare, sente-se ou deite com as pernas elevadas, respire devagar, beba água e só retome se a sensação passar completamente. Para prevenir: alimente-se antes, hidrate-se, mude de posição devagar, não prenda a respiração ao fazer força e avise o professor sobre as crises. Na água, saia da piscina com apoio ao primeiro sinal. Tontura ou desmaio durante o esforço, com dor no peito ou palpitação, exige avaliação cardiológica antes de voltar.
Em jejum prolongado e dietas restritivas
Jejum religioso, jejum intermitente, dietas muito restritivas e longos períodos sem comer podem provocar tontura por queda de glicose e de pressão, principalmente em idosos, diabéticos e pessoas que usam remédios para pressão. Na hora, sente-se e, se estiver consciente, tome algo com açúcar e água. Quem tem crises nessas situações precisa conversar com o médico antes de manter o jejum, especialmente se usa insulina ou remédios para diabetes.
Em lugares altos e na janela
Olhar de lugares altos, como sacadas, mirantes e escadas abertas, provoca em muitas pessoas uma sensação de instabilidade e medo, a chamada vertigem visual de altura, que é uma reação comum e não uma doença. Na hora: afaste-se da borda, segure em algo firme, fixe o olhar em um ponto próximo e estável, como a parede ou o chão perto de você, e respire devagar. Quando essa sensação é muito intensa e limita a vida, exercícios de habituação e acompanhamento psicológico ajudam.
Ao virar a cabeça rápido
Se a tontura aparece sempre que você vira a cabeça rapidamente para olhar para o lado, por exemplo ao atravessar a rua ou ao ouvir alguém chamar, e a visão parece "pular" por um instante, pode haver uma diminuição da função de um ou dos dois labirintos. Na hora, pare e fixe o olhar até a imagem estabilizar. No dia a dia, vire o corpo inteiro em vez de só a cabeça enquanto o tratamento avança. Os exercícios de estabilização do olhar, orientados pelo fisioterapeuta, são justamente o tratamento para esse tipo de tontura, e costumam trazer melhora importante em semanas.
Idosos: aliviar a tontura sem cair

No idoso, o objetivo número um na crise de tontura é não cair.
Na pessoa idosa, a crise de tontura tem um risco a mais: a queda, que pode causar fratura de punho, de quadril ou trauma de cabeça. Por isso, as orientações precisam ser ainda mais práticas.
- Sentar imediatamente é a regra de ouro. Deixe cadeiras firmes, com braços, em pontos estratégicos da casa: perto da cama, no banheiro, no corredor e na cozinha.
- Ter apoio sempre por perto: barras no banheiro, corrimão nos dois lados da escada e móveis firmes no caminho.
- Luz noturna no trajeto do quarto ao banheiro.
- Calçado fechado ao lado da cama, para não andar descalço ou de chinelo solto de madrugada.
- Bengala ou andador, quando indicados pelo fisioterapeuta, sempre ao alcance.
- Telefone ou dispositivo de alerta ao alcance, para pedir ajuda.
- Revisão dos remédios com o médico, porque calmantes, remédios para dormir, para pressão e para labirinto de uso contínuo aumentam o risco de tontura e de quedas.
Explico as estratégias de prevenção em prevenção de quedas em idosos e a adaptação da casa cômodo por cômodo em tapete antiderrapante e casa segura para idosos.
Produtos que costumo indicar, depois da avaliação

Tapete antiderrapante kit — ver no Mercado Livre
Se a tontura chegar no meio do banho, o piso molhado é o maior inimigo. O kit de tapetes antiderrapantes dentro e fora do box dá firmeza para sentar ou se apoiar com segurança enquanto a crise passa. É uma das primeiras adaptações que oriento na avaliação domiciliar de quem tem tontura.

Bengala tripé ergonômica — ver no Mercado Livre
Para quem tem crises frequentes ou insegurança entre elas, a bengala com base de três pontos oferece mais estabilidade do que a bengala simples e fica em pé sozinha, deixando a mão livre para se apoiar na parede quando a tontura chega. A altura correta fica na linha do punho, com o braço solto ao lado do corpo.
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Gestantes e crianças
Na gestação
Tontura leve é comum, principalmente no início da gravidez e ao deitar de barriga para cima no fim da gestação, quando o útero comprime grandes vasos. Na hora: sente-se ou deite de lado, de preferência do lado esquerdo; beba água; coma algo leve se estiver há muito tempo sem comer; afaste-se do calor. Remédios e chás só com orientação do obstetra. A partir da 20ª semana, tontura com dor de cabeça forte, visão embaçada, inchaço súbito ou pressão alta exige avaliação imediata, pela possibilidade de pré-eclâmpsia.
Em crianças
A criança pequena com tontura pode ficar pálida, assustada, agarrar-se aos pais e não conseguir ficar em pé. Na hora: acolha, deixe-a deitada ou sentada no colo, em ambiente calmo, e observe. Episódios curtos e repetidos de vertigem em crianças podem estar ligados à enxaqueca, mas toda criança com tontura precisa de avaliação do pediatra. Vômitos repetidos, sonolência, alteração da fala, da marcha ou da visão, ou tontura depois de uma pancada na cabeça exigem atendimento imediato.
Quando a tontura se repete: trate a causa

Aliviar a crise é importante; tratar a causa é o que faz as crises ficarem raras.
Saber aliviar a tontura na hora dá segurança, mas não resolve o problema. Se as crises se repetem, há uma causa, e na grande maioria das vezes ela tem tratamento:
- VPPB: manobra de reposicionamento, que resolve a maioria dos casos em poucas sessões.
- Neurite vestibular e sequelas de labirintite: reabilitação vestibular, que acelera a compensação do cérebro. Detalho em neurite vestibular: o que é e como a fisioterapia ajuda.
- Doença de Ménière: acompanhamento com otorrinolaringologista, ajustes de dieta e reabilitação entre as crises.
- Enxaqueca vestibular: controle de gatilhos, tratamento com neurologista e reabilitação gradual.
- PPPD: reabilitação com habituação e, quando indicado, terapia cognitivo-comportamental.
- Queda de pressão e efeito de remédios: revisão médica dos remédios, hidratação e levantar em etapas.
- Ansiedade: respiração, atividade física e psicoterapia.
A diretriz de prática clínica publicada em 2022 no Journal of Neurologic Physical Therapy reúne evidências fortes de que a reabilitação vestibular reduz a tontura, melhora o equilíbrio e diminui o risco de quedas em pessoas com hipofunção vestibular. Veja os exercícios em exercícios de reabilitação vestibular.
Tratamento também online
Parte da reabilitação vestibular, como a orientação dos exercícios, a progressão do programa e o acompanhamento, pode ser feita por teleatendimento, com o paciente em casa. As manobras para VPPB e alguns testes exigem atendimento presencial. Conheça a telerreabilitação vestibular online para vertigem no Rio de Janeiro.
Exercícios que reduzem as próximas crises
Os exercícios abaixo não são para fazer durante a crise, e sim nos dias seguintes, quando a sensação estiver mais leve. Eles não substituem a avaliação, e a progressão é individual. Faça perto de uma parede ou bancada, com cadeira por perto, e com alguém ao lado se houver risco de queda.
1. Estabilização do olhar
Sentado, segure um cartão com uma letra à altura dos olhos, a um braço de distância. Mantenha a letra nítida enquanto vira a cabeça devagar de um lado para o outro, por 30 segundos. Repita na vertical. Três vezes ao dia. Tontura leve que passa em até meia hora é esperada.
2. Equilíbrio com apoio
Em pé, de frente para a bancada, fique com os pés juntos por 30 segundos. Quando estiver fácil, coloque um pé à frente do outro. Duas vezes ao dia.
3. Habituação ao movimento
Com orientação do fisioterapeuta, escolha um movimento que provoca tontura leve, como sentar e deitar ou virar o corpo. Faça devagar, espere a tontura passar e repita 3 a 5 vezes, duas vezes ao dia. Com o tempo, a reação diminui.
4. Respiração diária
Pratique a respiração 4-6 por 5 minutos, duas vezes ao dia. Quem treina fora da crise consegue usar a técnica com mais facilidade na hora da crise.
5. Caminhada
Caminhe de 20 a 30 minutos na maioria dos dias, em local plano e seguro, aumentando aos poucos. A atividade física regular melhora o equilíbrio, o sono, a pressão e a ansiedade.
Interrompa os exercícios e procure avaliação se surgirem dor de cabeça forte, dor no peito, falta de ar, perda de audição ou sintomas neurológicos.
Monte o seu plano de crise
Quem tem crises repetidas se beneficia muito de um plano escrito, combinado com a família e, se possível, com o médico e o fisioterapeuta. Ele reduz a improvisação e o medo.
O que colocar no plano
- Os sinais de alerta que exigem 192, em letras grandes.
- O tipo de crise que você costuma ter (giro, cabeça leve, aérea) e a técnica que funciona melhor.
- Onde sentar em cada cômodo da casa e no trabalho.
- O remédio de crise, se houver prescrição, com a orientação exata de uso.
- Quem chamar: nome e telefone de duas pessoas próximas.
- Quando procurar atendimento: crise diferente, mais longa, com queda ou sintomas novos.
Deixe uma cópia na geladeira e uma foto no celular. Ensine o plano às pessoas da casa.
Kit de crise para levar consigo
- Garrafa de água.
- Um lanche leve, como bolachas simples ou uma fruta.
- Em diabéticos, aparelho de glicemia e uma fonte de açúcar de absorção rápida.
- Lista atualizada de remédios e doenças.
- Remédio de crise, se houver prescrição.
- Contato de familiar e do médico.
- Óculos, se usar.
- Saquinho para enjoo, para quem tem crises com vômito.
Tontura ao acordar: alívio e prevenção
Muitas crises acontecem ao acordar ou ao levantar da cama. Elas costumam ter duas origens principais: a VPPB, com giro curto ao virar ou levantar a cabeça, e a queda de pressão ao ficar em pé, com vista escurecendo. Na hora, o que ajuda é parar o movimento, fixar o olhar, esperar passar e levantar em três tempos. Para prevenir, deixe luz e calçado ao alcance, beba água ao longo do dia anterior e investigue a causa. Detalho esse quadro e a tontura que aparece sem aviso em tontura ao acordar e tontura do nada.
Em viagens: carro, ônibus, barco e avião
O enjoo de movimento é uma forma comum de tontura em viagens. Ele aparece quando a visão e o labirinto informam movimentos diferentes ao cérebro.
- Sente-se na frente no carro e no ônibus, ou dirija, quando possível.
- Olhe para o horizonte ou para um ponto distante e estável.
- Evite ler, usar o celular ou assistir a vídeos durante o trajeto.
- Mantenha o ambiente ventilado e evite cheiros fortes.
- Faça refeições leves antes da viagem, sem jejum e sem excessos.
- No avião, prefira lugares perto das asas; no barco, o centro e o nível mais baixo.
- Se a crise vier, feche os olhos por alguns instantes ou fixe o horizonte, respire devagar e, se possível, peça para parar.
Remédios para enjoo de viagem só com orientação, porque muitos causam sonolência e não combinam com direção nem com álcool.
Tontura com pressão alta: o que fazer na hora
Muitas pessoas, ao sentir tontura, medem a pressão, encontram um valor alto e tomam um comprimido a mais por conta própria. Isso pode ser perigoso. A tontura e a ansiedade da crise elevam a pressão temporariamente, e baixar a pressão de forma brusca pode provocar queda de pressão e, em caso de AVC, piorar a lesão.
- Sente-se, respire devagar e meça novamente depois de 5 a 10 minutos de repouso.
- Valores muito altos, como 180 por 120 mmHg ou mais, com dor de cabeça forte, alteração visual, dor no peito, falta de ar, confusão ou fraqueza, são emergência: 192.
- Sem esses sintomas, anote os valores e converse com o médico. Não altere a dose do remédio sem orientação.
Casos do atendimento em casa
Os casos abaixo são de pacientes reais, identificados apenas pelas iniciais, com detalhes alterados para preservar a privacidade.
Sra. D. M., 72 anos: o banco no banheiro
A Sra. D. M. tinha crises de giro ao virar na cama e já tinha caído duas vezes tentando chegar ao banheiro durante a crise. Ensinamos a ela e à filha a regra de sentar imediatamente, colocamos uma cadeira firme ao lado da cama e outra no banheiro, luz noturna e tapete antiderrapante. Os testes confirmaram VPPB, tratada com manobra em duas sessões. As quedas pararam, e ela passou a ter um plano para o caso de a VPPB voltar.
Sr. F. L., 34 anos: as pernas para cima
O Sr. F. L. sentia a vista escurecer e quase desmaiava quando ficava muito tempo em pé em filas e no transporte, principalmente no calor. A avaliação cardiológica foi normal, e o diagnóstico foi de síncope vasovagal. Ensinamos as manobras de contrapressão, a deitar com as pernas elevadas ao primeiro sinal, a hidratação ao longo do dia e a não ficar parado em pé por muito tempo. Os quase desmaios ficaram raros.
Sra. P. S., 45 anos: a respiração que mudou a crise
A Sra. P. S. tinha crises de cabeça aérea, formigamento e medo intenso no supermercado, depois de uma crise antiga de labirinto. Com o diagnóstico de PPPD, treinamos a respiração 4-6 e a ancoragem nos sentidos, e iniciamos a exposição gradual ao ambiente, com reabilitação vestibular e acompanhamento psicológico. Em poucos meses, ela voltou a fazer compras sozinha, sabendo o que fazer se a sensação aparecesse.
Sr. W. R., 66 anos: quando a regra é ligar
Durante uma sessão de fisioterapia, o Sr. W. R. sentiu tontura súbita, e a fala ficou levemente enrolada. Não havia queda, e ele queria "esperar passar". Aplicamos o teste do sorriso, dos braços e da fala, notamos alteração e acionamos o SAMU. No hospital, foi diagnosticado um AVC, tratado a tempo. Conto esse caso para reforçar: com sinal de alerta, não se tenta aliviar em casa, liga-se 192.
Quando procurar um especialista
Procure avaliação quando:
- As crises se repetem, mesmo que sejam leves.
- Foi a primeira crise forte, principalmente acima dos 50 anos ou com pressão alta, diabetes ou colesterol alto.
- A tontura aparece ao deitar, virar na cama ou olhar para cima.
- Houve queda ou quase queda.
- Vem com zumbido, perda de audição ou ouvido tapado.
- Você usa remédio para tontura há muito tempo e continua tendo crises.
- A tontura limita o trabalho, as saídas ou as tarefas de casa.
O médico clínico, o otorrinolaringologista e o neurologista investigam as causas. O fisioterapeuta especializado em reabilitação vestibular faz os testes de equilíbrio, as manobras e o programa de exercícios, em conjunto com o médico.
Fisioterapia vestibular em casa e online

No atendimento em casa, o plano de crise é treinado nos ambientes reais do paciente.
Para quem tem crises de tontura, sair de casa para o tratamento pode ser difícil e até arriscado. A fisioterapia domiciliar leva até o paciente a avaliação completa do equilíbrio, os testes posicionais, as manobras para VPPB e o programa de exercícios. O fisioterapeuta domiciliar também monta com a família o plano de crise, escolhendo onde sentar em cada cômodo e o que fazer em cada tipo de sensação.
Atendimento com fisioterapia domiciliar, fisioterapia em casa, fisioterapia em domicílio, fisioterapia particular e fisioterapia especializada: você recebe fisioterapeuta domiciliar, fisioterapeuta em casa, fisioterapeuta em domicílio, fisioterapeuta particular e fisioterapeuta especializado.
Especialidades atendidas: fisioterapia neurológica, fisioterapia respiratória, fisioterapia traumato-ortopédica, fisioterapia reumatológica, fisioterapia oncológica e fisioterapia vestibular.
A fisioterapia em casa permite treinar o levantar seguro na própria cama, o banho com segurança no próprio banheiro e o caminho noturno no próprio corredor. O fisioterapeuta em casa identifica riscos e orienta adaptações, a fisioterapia em domicílio envolve a família, e o fisioterapeuta em domicílio consegue medir a pressão deitado e em pé no próprio quarto.
Por ser uma fisioterapia especializada, a reabilitação vestibular exige formação específica. O fisioterapeuta especializado domina os testes de olhos e de equilíbrio, as manobras de todos os canais e a prescrição individual de exercícios. Na fisioterapia particular, o fisioterapeuta particular oferece sessões sem fila, com tempo adequado e comunicação direta com o médico. Parte do acompanhamento também pode ser feita online.
Atendemos em todo o Brasil. No Rio de Janeiro, veja a página de reabilitação vestibular no Rio de Janeiro.
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Mitos e verdades sobre aliviar a tontura
"Fechar os olhos e ficar em pé ajuda." Mito.
Sem a visão, o equilíbrio piora. Sente-se e fixe o olhar em um ponto parado.
"Deitar com as pernas para cima ajuda quando a vista escurece." Verdade.
Isso leva o sangue de volta à cabeça na pré-síncope.
"Respirar devagar ajuda até quando a causa não é ansiedade." Verdade.
O susto da crise acelera a respiração e o coração, e a respiração lenta reduz esse componente.
"Remédio para labirinto resolve qualquer crise." Mito.
Na VPPB, a manobra resolve; na queda de pressão, o problema pode ser o excesso de remédio. Remédios só com orientação médica.
"Se passou, não preciso investigar." Mito.
Crises que se repetem têm causa, e o tratamento costuma reduzi-las muito.
"Tontura com fala enrolada pode esperar." Mito perigoso.
É sinal de possível AVC: 192 imediatamente.
Perguntas frequentes
Como aliviar a tontura na hora?
Pare, apoie-se e sente ou deite onde estiver. Se tudo gira, fixe o olhar em um ponto parado e mantenha a cabeça quieta. Se a vista escurece, deite e eleve as pernas. Se há formigamento e falta de ar, respire devagar, inspirando em 4 tempos e soltando em 6. Levante em etapas quando passar por completo.
O que fazer quando a vista escurece e parece que vou desmaiar?
Deite e eleve as pernas, ou sente e abaixe a cabeça. Cruzar as pernas e contrair coxas e bumbum também ajuda a elevar a pressão por alguns instantes. Beba água se estiver consciente. Desmaio durante esforço, com dor no peito ou palpitação, exige avaliação imediata.
Olhos abertos ou fechados na crise de tontura?
Nos primeiros segundos, fechar os olhos pode aliviar. Assim que possível, abra-os e fixe um ponto parado. Ficar muito tempo de olhos fechados, principalmente em pé, aumenta o desequilíbrio.
Qual remédio tomar na hora da tontura?
Este guia não indica remédios nem doses. O que ajuda depende da causa, e os remédios mais usados causam sonolência e aumentam o risco de quedas, principalmente em idosos. Se o médico já prescreveu um remédio de crise, use como orientado.
Água ajuda a passar a tontura?
Ajuda quando a crise vem de desidratação, calor, suor intenso ou queda de pressão. Ofereça água apenas a quem está consciente e sem dificuldade para engolir.
O que fazer se a tontura vier no banho?
Desligue ou amorne a água, segure na barra e sente-se, na cadeira de banho ou no chão do box. Chame alguém. Só levante quando passar, com apoio. Tapete antiderrapante e barras de apoio previnem quedas.
O que fazer se a tontura vier dirigindo?
Ligue o pisca-alerta, reduza a velocidade e pare em local seguro. Espere passar por completo. Se as crises se repetem, não dirija até ter avaliação e liberação médica.
Como ajudar alguém com tontura?
Ajude a pessoa a sentar ou deitar no lugar mais próximo e seguro, observe fala, rosto e braços, e ligue 192 diante de qualquer sinal de alerta. Sem sinais de alerta, ajude com as técnicas e fique por perto até passar.
Quando a tontura é emergência?
Quando vem com fala enrolada, boca torta, fraqueza ou dormência de um lado, visão dupla, dificuldade para andar, dor de cabeça explosiva, dor no peito, falta de ar, desmaio ou depois de pancada na cabeça. Ligue 192.
Existe manobra para aliviar a tontura na hora?
Na VPPB, as manobras de reposicionamento tratam a causa, mas precisam de diagnóstico do canal e do lado e são feitas por profissional. Fazer manobra de vídeo sem diagnóstico pode não resolver e provocar quedas.
Ansiedade pode causar crise de tontura?
Sim. A respiração acelerada provoca cabeça aérea e formigamento. A respiração 4-6 e a ancoragem nos sentidos ajudam na hora, depois de afastar causas físicas.
Quanto tempo esperar sentado até levantar?
Espere até a sensação passar por completo, e não apenas diminuir. Depois, sente-se por um minuto, fique em pé com apoio por mais um minuto e só então caminhe devagar, perto de apoio.
Tontura no calor: o que fazer?
Vá para um lugar fresco, sente ou deite com as pernas elevadas, molhe o rosto e a nuca e beba água em goles, se estiver consciente. Confusão, pele muito quente e seca, vômitos ou desmaio são emergência: 192.
As crises podem parar de acontecer?
Na maioria das causas, sim, ou ficam bem mais raras, com o tratamento certo: manobras na VPPB, reabilitação vestibular, controle de gatilhos na enxaqueca, revisão de remédios e hábitos. O tratamento pode ser feito em casa e, em parte, online.
Referências científicas consultadas
- Bhattacharyya N, et al. Clinical Practice Guideline: Benign Paroxysmal Positional Vertigo (Update). Otolaryngology–Head and Neck Surgery, 2017.
- Hall CD, et al. Vestibular Rehabilitation for Peripheral Vestibular Hypofunction: An Updated Clinical Practice Guideline. Journal of Neurologic Physical Therapy, 2022.
- van Dijk N, et al. Effectiveness of physical counterpressure maneuvers in preventing vasovagal syncope: the Physical Counterpressure Manoeuvres Trial (PC-Trial). Journal of the American College of Cardiology, 2006.
- Brignole M, et al. 2018 ESC Guidelines for the diagnosis and management of syncope. European Heart Journal, 2018.
- Staab JP, et al. Diagnostic criteria for persistent postural-perceptual dizziness (PPPD). Journal of Vestibular Research, 2017.
- Lempert T, et al. Vestibular migraine: diagnostic criteria. Journal of Vestibular Research, 2012; atualização em 2022.
- Kattah JC, et al. HINTS to diagnose stroke in the acute vestibular syndrome. Stroke, 2009.
Uma palavra final do especialista
Depois de 30 anos atendendo pessoas com tontura em casa, vejo que o medo da próxima crise muitas vezes pesa mais do que a própria crise. Saber exatamente o que fazer, sentar, fixar o olhar, respirar, elevar as pernas, devolve segurança e evita quedas. Mas o objetivo final não é só aliviar: é descobrir por que as crises acontecem e tratá-las, para que fiquem raras.
Se você ou alguém da sua família tem crises de tontura, não se acostume com elas. Uma avaliação cuidadosa, em casa ou online, é o primeiro passo para viver com mais tranquilidade.
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Conteúdo escrito e revisado clinicamente por Dr. Moacir Rodolfo Muruci, fisioterapeuta (CREFITO-2 16.513-F), especialista em reabilitação vestibular e neurológica, com 30 anos de atendimento domiciliar. Este artigo é informativo, não indica medicamentos nem doses e não substitui consulta médica ou fisioterapêutica individual.

