VPPB: O Que É, Sintomas e Tratamento com Manobra de Epley

VPPB: O Que É, Sintomas e Tratamento com Manobra de Epley
Por Dr. Moacir Rodolfo Muruci — Fisioterapeuta especialista exclusivo em Reabilitação Vestibular, CREFITO 16513-F, com trinta anos de prática dedicada integralmente a essa especialidade. Atendimento presencial domiciliar no Rio de Janeiro metropolitano e telerreabilitação estruturada para todo o Brasil. WhatsApp: (21) 99206-8007.
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Vou começar pelo cenário que mais ouço no consultório. A pessoa acorda de manhã, vira a cabeça para o despertador, e o mundo gira por trinta ou quarenta segundos. Náusea forte. A sensação de que vai cair da cama. Em poucos minutos, passa — mas volta quando se inclina para amarrar o sapato, quando deita à noite, quando olha para a prateleira de cima do supermercado.
Isso é VPPB. E posso adiantar uma coisa: na maioria dos casos, esse paciente sai da primeira sessão de fisioterapia vestibular curado. Sem remédio. Sem exame caro. Apenas com a manobra correta, feita na hora certa.
O que é VPPB, em palavras simples
VPPB é a sigla para Vertigem Posicional Paroxística Benigna. Cada uma dessas palavras importa, então vamos por partes.
Vertigem é a sensação de movimento — geralmente rotatório — quando você está parado. Diferente da tontura inespecífica, em que o paciente diz "minha cabeça está leve". Na vertigem, o ambiente gira, ou você se sente girando. Posicional significa que ela só aparece quando você muda a posição da cabeça. Deitar, levantar, virar para o lado na cama, olhar para cima. Paroxística quer dizer que vem em crises curtas, de poucos segundos. Benigna porque, apesar de assustar muito, não representa risco para a vida.
Tecnicamente, é uma desordem mecânica do labirinto. Pequenas estruturas de cristais de cálcio (otocônias) se deslocam do lugar correto — o utrículo — e caem dentro de um dos canais semicirculares. Cada vez que você move a cabeça, esses cristais se mexem dentro do canal, e o sistema vestibular interpreta isso como rotação intensa. Daí a sensação de mundo girando.
É a causa mais comum de vertigem que vejo no consultório. Estimo que entre trinta e cinquenta por cento dos meus encaminhamentos por "labirintite" são, na verdade, VPPB. Diagnóstico errado, tratamento errado, mês após mês de antivertiginoso sem resolução.
Por que VPPB acontece
Para entender a causa, é útil lembrar como o ouvido interno funciona. Ele tem duas funções principais: a auditiva e a vestibular. A parte vestibular detecta movimento da cabeça através de três canais semicirculares (que percebem rotação) e duas estruturas chamadas utrículo e sáculo (que percebem aceleração linear e gravidade).
No utrículo existem milhares de pequeninos cristais de carbonato de cálcio — as otocônias. Eles ficam grudados em uma membrana gelatinosa que pesa sobre células sensoriais. Quando você inclina a cabeça, essa massa cristalina se desloca, e as células enviam o sinal de movimento.
O problema acontece quando essas otocônias se soltam e caem em um dos canais semicirculares — geralmente o canal posterior, que é o que fica mais baixo. Dentro do canal, elas viram um corpo estranho. Cada movimento da cabeça desloca os cristais pela endolinfa, e o sistema vestibular dispara como se houvesse rotação real. Mas não há.
O que causa o deslocamento dessas otocônias? Em muitos casos, ninguém sabe. Pode ser idade (a estrutura cristalina enfraquece com o tempo), trauma craniano (uma batida na cabeça, mesmo leve), enxaqueca vestibular, deficiência de vitamina D, repouso prolongado na cama, ou simplesmente acaso. Em mulheres, há associação com osteoporose — o que faz sentido, já que ambas envolvem metabolismo do cálcio.
Os sintomas clássicos (e os que enganam o médico)
O sintoma cardinal é a vertigem rotatória breve desencadeada por mudança de posição. As características que ajudam no diagnóstico:
Para quem quer entender a fundo o que é o trabalho de reabilitação vestibular como especialidade, vale a leitura complementar: Reabilitação Vestibular: o que é, como funciona e para que serve. E para quem já tomou betaistina e quer saber se a fisioterapia substitui o medicamento: Manobra de Epley vs Betaistina — qual realmente funciona para VPPB.
Suplementação com base em evidência
Para pacientes com VPPB recorrente e dosagem sérica de vitamina D abaixo do ideal, a suplementação tem suporte de ensaio clínico randomizado. Esta é a apresentação que considero adequada como base — sempre com aprovação e dosagem definida pelo médico:
Perguntas que recebo no consultório
Quantas sessões de fisioterapia são necessárias para resolver VPPB?
Na maior parte das vezes, uma sessão basta. Setenta a noventa por cento dos casos resolvem na primeira Manobra de Epley, segundo a revisão Cochrane. Em casos com canal lateral envolvido, em VPPB bilateral ou em otocônias mais aderidas, posso precisar de duas a três sessões. Há também o trabalho de reabilitação proprioceptiva que ofereço como programa domiciliar, voltado para a fase pós-crise — esse pode durar de duas a quatro semanas para resíduo de desequilíbrio.
É verdade que VPPB pode passar sozinho sem tratamento?
Em alguns casos, sim — a história natural prevê remissão espontânea em semanas a meses. O problema é o que acontece nesse intervalo: queda, fratura, perda de qualidade de vida, ausência no trabalho, ansiedade. Por que esperar quando a manobra resolve em uma sessão? Não conheço bom motivo clínico para indicar espera.
Posso fazer a Manobra de Epley sozinho em casa, vendo um vídeo?
Desaconselho. Sem o Teste de Dix-Hallpike, não há como saber qual canal está afetado — e a manobra errada pode migrar as otocônias para outro canal, transformando um VPPB simples em quadro mais complexo. Conheço pacientes que pioraram seguindo orientação de vídeo sem diagnóstico prévio.
Existe diferença entre VPPB e labirintite?
Diferença total. VPPB é mecânico, posicional, sem zumbido, dura segundos por crise e resolve em uma sessão de manobra. Labirintite é inflamatório, contínuo, com zumbido ou perda auditiva, dura horas a dias e exige tratamento medicamentoso na fase aguda seguido de fisioterapia precoce. Confundir os dois é a causa mais comum de "tontura crônica que não passa" que vejo.
Preciso fazer ressonância magnética para investigar VPPB?
Geralmente não. O diagnóstico de VPPB é clínico, feito com manobras posicionais. A ressonância tem indicação se há sinais sugestivos de causa central (alterações do HINTS, sintomas neurológicos focais, cefaleia inédita intensa) ou se o quadro não responde ao tratamento adequado e há suspeita de outra patologia.
VPPB tem relação com cervicalgia ou problema de coluna cervical?
Em geral, não. VPPB tem origem no labirinto, não no pescoço. Mas pode haver coincidência. Existe um quadro distinto chamado tontura cervicogênica, em que a disfunção cervical realmente causa tontura — esse responde a tratamento manual cervical, não a Manobra de Epley. O profissional treinado diferencia clinicamente.
O caminho mais curto da crise para a resolução
VPPB tem desfecho excelente quando o diagnóstico é correto e o tratamento é o adequado. Não existe motivo para passar semanas tomando antivertiginoso, fazendo exames desnecessários ou aceitando a vertigem como sentença. O atendimento domiciliar especializado encurta esse caminho — avaliação completa na primeira visita, Manobra de Epley quando confirmado o diagnóstico, orientação para o pós-tratamento e programa de prevenção. Tudo dentro da sua casa, no mesmo dia.
Se você está com crises de vertigem que aparecem ao mudar de posição, vale a pena uma avaliação especializada antes de aceitar diagnóstico de labirintite ou tratamento prolongado com medicamento. WhatsApp para agendamento: (21) 99206-8007 — Dr. Moacir Rodolfo Muruci, fisioterapeuta especialista exclusivo em reabilitação vestibular, com trinta anos de experiência em atendimento domiciliar.
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