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Manobra de Epley vs Betaistina: Qual Funciona para VPPB?

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Manobra de Epley vs Betaistina: Qual Funciona para VPPB?

Por Dr. Moacir Rodolfo Muruci — Fisioterapeuta especialista exclusivo em Reabilitação Vestibular, CREFITO 16513-F, com trinta anos de prática dedicada integralmente a essa especialidade. Atendimento presencial domiciliar no Rio de Janeiro metropolitano e telerreabilitação estruturada para todo o Brasil. WhatsApp: (21) 99206-8007.

Esta é uma pergunta que escuto direto, especialmente de pacientes que já estão há semanas em tratamento medicamentoso e não viram melhora. A resposta é direta — e baseada em evidência sólida. Mas, para que faça sentido, preciso explicar primeiro o que cada uma das duas opções realmente faz no organismo. Spoiler: elas não fazem a mesma coisa. E uma delas, na verdade, não trata VPPB.

O que é a Manobra de Epley

A Manobra de Reposicionamento Canalicular, conhecida como Manobra de Epley, é uma sequência mecânica de cinco posições da cabeça e do corpo, executada em cerca de cinco minutos. Ela usa a gravidade para conduzir os cristais deslocados (otocônias) que estão dentro de um canal semicircular de volta para o utrículo, que é o lugar correto deles.

Foi descrita por John Epley em 1980 e se tornou o tratamento padrão para VPPB de canal posterior em todo o mundo. É feita por fisioterapeuta especializado ou otorrinolaringologista treinado, sempre depois do diagnóstico confirmado pelo Teste de Dix-Hallpike.

Por trás do procedimento está uma ideia simples: VPPB é um problema mecânico. Há partículas onde não deveriam estar. Você remove as partículas, o problema acaba. Não há ação farmacológica nenhuma. Não há absorção, não há metabolismo, não há efeito colateral sistêmico. Para entender em detalhes o que é VPPB e como a manobra atua, vale ler o guia completo sobre VPPB e tratamento com Manobra de Epley.

O que é a Betaistina

Betaistina é um medicamento — um análogo da histamina — usado há décadas no tratamento de várias condições vestibulares. Foi originalmente desenvolvida para doença de Ménière. Atua nos receptores H1 e H3 do sistema vestibular, modulando a circulação na microcirculação do labirinto e, em teoria, atenuando os sintomas vertiginosos.

É vendida com várias marcas no Brasil. A dosagem habitual fica entre dezesseis e quarenta e oito miligramas por dia, dividida em duas ou três tomadas. O tratamento costuma ser prolongado — semanas a meses.

O ponto crítico: betaistina foi originalmente registrada para doença de Ménière. O uso para VPPB é off-label e não tem suporte sólido na literatura. Algumas diretrizes europeias até a mencionam em contextos limitados; outras a desaconselham. A AAO-HNS americana é categórica: não há evidência suficiente para recomendar antivertiginosos em VPPB.

O que dizem os estudos clínicos comparativos

Em VPPB, vários ensaios compararam diretamente a Manobra de Epley com tratamento medicamentoso (betaistina ou cinarizina) ou com placebo. Os resultados são consistentes.

A revisão Cochrane de Hilton e Pinder (2019) é a referência mais completa. Analisou onze ensaios clínicos randomizados, totalizando setecentos e quarenta e cinco pacientes. O Number Needed to Treat para a Manobra de Epley foi de 1,4 — ou seja, para cada paciente que precisaria de uma segunda sessão, mais de dois saem curados na primeira. A taxa de resolução na primeira sessão ficou entre setenta e noventa por cento.

Para a betaistina em VPPB, não existe revisão Cochrane específica com poder estatístico equivalente. Os estudos individuais que tentaram mostrar benefício chegam, no máximo, a redução modesta de sintomas — sem efeito sobre a causa mecânica. Em outras palavras: o medicamento pode mascarar a vertigem temporariamente, mas não resolve o problema.

A diretriz da American Academy of Otolaryngology-Head and Neck Surgery, atualizada por Bhattacharyya e colaboradores em 2017, é explícita em dois pontos cruciais:

  1. A Manobra de Epley é recomendada com grau A (evidência mais forte possível) para VPPB de canal posterior.
  2. Antivertiginosos — incluindo betaistina — não devem ser prescritos como tratamento de rotina para VPPB. Recomendação clara: against routine pharmacological treatment.

O que isso significa na prática clínica

Vou ser direto. Em mais de trinta anos de consultório, atendo semanalmente pacientes que tomam ou tomaram betaistina por meses para "tratamento de VPPB". O quadro típico que vejo:

  • O paciente começou com vertigem posicional clássica.
  • Foi a uma emergência ou consultório, recebeu o diagnóstico genérico de "labirintite".
  • Saiu com receita de betaistina, cinarizina ou flunarizina.
  • Tomou por dois, três, seis meses, com melhoras parciais e crises recorrentes.
  • Chega ao especialista esgotado.
  • Uma sessão de Manobra de Epley resolve.

Essa sequência é tão comum que se transformou no padrão de chegada ao consultório. E há prejuízos colaterais que valem mencionar.

O custo de tratar VPPB com medicamento

Não é apenas que o medicamento não trata — ele atrapalha. Antivertiginosos prolongados têm três efeitos negativos específicos:

  • Sedação — em idosos, isso aumenta o risco de queda. Fratura de quadril em idoso tem mortalidade de vinte a trinta por cento em um ano.
  • Bloqueio da compensação central — o cérebro precisa receber os sinais vestibulares para se reorganizar. Antivertiginoso suprime esses sinais, e a compensação trava.
  • Atraso no diagnóstico correto — enquanto o sintoma é mascarado, o paciente não procura o profissional certo. As semanas viram meses.

O custo financeiro também não é desprezível. Tratamento prolongado de betaistina pode chegar a alguns reais por dia. Multiplicado por meses, fica caro. E os resultados são piores que uma única sessão de fisioterapia vestibular bem feita.

Comparação direta dos dois tratamentos

CaracterísticaManobra de EpleyBetaistina
MecanismoMecânico — reposiciona otocôniasFarmacológico — modula circulação labiríntica
Trata a causaSimNão
Tempo para resolver1 sessão (70-90%)Semanas a meses, geralmente sem cura
Evidência CochraneForte — NNT 1,4Sem revisão dedicada com benefício
Diretriz AAO-HNSRecomendada (Grau A)Não recomendada para uso rotineiro
Efeitos colateraisNáusea transitóriaCefaleia, dispepsia, sedação
Risco em idososBaixoSedação aumenta risco de queda
CustoSessões pontuaisMeses de uso contínuo

Onde a betaistina realmente tem papel

Não estou dizendo que betaistina é um medicamento ruim. Para a indicação correta, faz sentido. Em pacientes com doença de Ménière, na qual há disfunção endolinfática e crises com plenitude aural, zumbido e perda auditiva flutuante, betaistina pode reduzir a frequência e a intensidade das crises. Para isso ela foi desenvolvida originalmente.

Em vertigem migranosa também há literatura mais positiva, mas o tratamento de primeira linha é o preventivo da enxaqueca em si.

Para VPPB, no entanto, a betaistina não resolve o problema mecânico. Equivale a tomar dipirona para uma fratura: alivia a dor momentaneamente, mas o osso continua quebrado.

O cuidado certo nas 72h após a Manobra de Epley

Quando o paciente faz a Manobra de Epley com sucesso, as otocônias voltam ao utrículo. Mas, nas primeiras quarenta e oito a setenta e duas horas, elas ainda estão "frouxas" — podem migrar de volta ao canal com movimentos bruscos. A orientação clássica é dormir com cabeceira elevada e em posição neutra. Isto facilita:

Travesseiro cervical ortopédico recomendado nas 72 horas após Manobra de Epley para prevenir recidiva

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Mantém a cabeça em posição neutra durante o sono. Reduz o risco de migração das otocônias de volta ao canal posterior — fator que aumenta a chance de recidiva precoce após a manobra.

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Prevenção de recidiva: onde sim faz sentido suplementar

Já que estamos comparando intervenções, vale mencionar o ponto onde a literatura recente mostrou efeito real: a vitamina D na prevenção de recorrência de VPPB.

Jeong e colaboradores publicaram em 2020, na revista Neurology, o estudo de referência. Pacientes com VPPB recorrente e deficiência de vitamina D foram divididos em dois grupos. O grupo suplementado teve redução de vinte e quatro por cento nas recidivas. É um achado clinicamente relevante — pequeno em valor absoluto, mas custo-efetivo e seguro em pacientes deficientes.

Importante: a suplementação só faz sentido em pacientes com deficiência diagnosticada por exame de sangue. Faço a solicitação da dosagem sérica antes de qualquer recomendação, e a decisão final é do médico que acompanha o paciente.

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Multivitamínico com vitamina D, B12 e cofatores nutricionais. Para pacientes com deficiência confirmada por exame e indicação médica de suplementação, é uma das opções utilizadas.

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Reabilitação proprioceptiva após a manobra

Mesmo quando a Manobra de Epley resolve a vertigem posicional, alguns pacientes mantêm uma sensação de desequilíbrio residual por dias ou semanas. Isso é normal e tem nome: déficit de adaptação vestibular. O cérebro estava acostumado ao sinal errado vindo do labirinto, e agora precisa se reajustar ao sinal correto.

Para essa fase, programas de exercícios proprioceptivos progressivos ajudam. Para mais detalhes sobre como funciona esse trabalho específico, vale a leitura do guia completo sobre reabilitação vestibular.

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Disco proprioceptivo para o programa pós-manobra. A superfície instável estimula a recalibração do sistema vestibular durante exercícios progressivos — apoio bilateral, depois unipodal, depois com olhos fechados.

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E se o paciente já está tomando betaistina, o que fazer?

Pergunta frequente. Muitos pacientes chegam com a prescrição em uso há semanas. Minha conduta padrão:

  1. Confirmar o diagnóstico de VPPB pelo Teste de Dix-Hallpike.
  2. Realizar a Manobra de Epley na mesma sessão.
  3. Orientar o paciente a conversar com o médico assistente sobre o desmame da betaistina.
  4. Eu não suspendo medicação prescrita por outro profissional, mas comunico os achados clínicos para que a decisão seja conjunta.
  5. Em pacientes com longo uso (acima de três meses), o desmame é feito gradualmente, em uma a duas semanas, para evitar rebote sintomático.

Perguntas que recebo após esta comparação

A betaistina pode ser usada como adjuvante à Manobra de Epley?

Em VPPB clássico, não há indicação. A manobra sozinha resolve. Se há sintomas associados que sugerem outra patologia (Ménière, vertigem migranosa), aí cabe discussão clínica caso a caso. Mas não como prática rotineira para VPPB.

Existe algum cenário em que a betaistina supera a Manobra de Epley?

Em VPPB de canal posterior puro, não há. A manobra é superior em todos os parâmetros estudados. Em outras patologias vestibulares — especialmente doença de Ménière — a betaistina tem indicação específica. O importante é o diagnóstico correto antes da prescrição.

E a cinarizina, flunarizina ou meclizina, ainda usadas no Brasil?

Mesma situação. Antivertiginosos genericamente não tratam VPPB. Eles atrapalham a compensação central, têm efeito sedativo (perigoso em idosos) e mascaram o sintoma sem tratar a causa. As diretrizes internacionais recomendam contra o uso rotineiro.

Por que tantos médicos ainda prescrevem betaistina para "labirintite"?

Em parte por inércia diagnóstica — chamar tudo de "labirintite" é prática antiga, antes de a fisioterapia vestibular se estabelecer. Em parte porque pacientes esperam sair do consultório com uma receita. Em parte porque o profissional não está treinado nas manobras posicionais. Não é má fé — é educação médica desatualizada para uma especialidade que cresceu nas últimas décadas.

Como sei se o que tenho é VPPB e não algo que precisa de medicamento?

Você precisa de avaliação clínica especializada. Mas alguns sinais ajudam: vertigem que aparece apenas ao mudar de posição da cabeça, dura segundos, sem zumbido e sem perda auditiva, geralmente é VPPB. Vertigem contínua de horas, com zumbido ou plenitude no ouvido, costuma ser labirintite ou doença de Ménière.

O caminho mais eficiente

Conclusão honesta: para VPPB, a Manobra de Epley é o tratamento padrão-ouro, com evidência forte de eficácia, sem efeitos colaterais relevantes, e que costuma resolver o problema em uma única sessão. A betaistina não trata a causa do VPPB e, em uso prolongado, pode até atrapalhar a recuperação.

Se você tem vertigem posicional há semanas e está em tratamento medicamentoso sem melhora, talvez o problema não seja a falta de medicação. Talvez seja a falta da intervenção mecânica correta.

Para avaliação especializada e Manobra de Epley realizada na primeira visita domiciliar — sem necessidade de deslocamento durante a crise: WhatsApp (21) 99206-8007. Dr. Moacir Rodolfo Muruci, fisioterapeuta especialista em reabilitação vestibular, trinta anos atendendo exclusivamente esta área.

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