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Vertigem — Tratamento Sem Remédio: O Que a Fisioterapia Faz Que o Remédio Não Faz

Vertigem

Nem toda vertigem é labirintite — e essa confusão atrasa o tratamento de milhares de pessoas

A cena se repete no meu consultório há três décadas. A pessoa entra dizendo que tem "labirintite". Tomou remédio por meses, às vezes anos. Não melhorou. Quando faço a avaliação, o diagnóstico real raramente é labirintite — é VPPB, ou Ménière, ou uma vertigem de outra origem que o remédio nunca iria resolver.

Vertigem é um dos sintomas mais angustiantes que existem. A sensação de que o mundo gira, de que o chão se move, de que você vai cair a qualquer momento. E, no entanto, é também um dos sintomas mais mal compreendidos — tanto por pacientes quanto, infelizmente, por parte dos profissionais que os atendem.

Este guia existe para mudar isso. Vou explicar o que é vertigem de verdade, quais são os tipos, as causas mais comuns, quando ela é um sinal de emergência e — o mais importante — por que, na maioria dos casos, o tratamento correto não é um comprimido, mas a fisioterapia vestibular.

O Que É Vertigem — e Por Que Ela é Diferente de "Tontura"

Existe uma confusão de linguagem que atrapalha o diagnóstico desde o primeiro minuto. As pessoas usam "tontura" e "vertigem" como sinônimos. Não são.

Vertigem é a sensação específica de movimento rotatório — o ambiente gira ao seu redor, ou você sente que está girando, mesmo parado. É uma ilusão de movimento.

Tontura é um termo guarda-chuva, mais vago. Inclui a sensação de cabeça leve, de desmaio iminente, de instabilidade, de "flutuar". Nem toda tontura é vertigem.

Por que isso importa? Porque a vertigem verdadeira — a ilusão rotatória — aponta quase sempre para o sistema vestibular, o aparelho do equilíbrio localizado no ouvido interno. Já a tontura inespecífica pode ter origem cardíaca, metabólica, medicamentosa ou psicológica. Diferenciar uma da outra é o primeiro passo para o tratamento certo.

Como descrever sua vertigem ao profissional

Quando alguém me procura, peço que descreva a sensação sem usar a palavra "tontura". As respostas que apontam para vertigem vestibular costumam ser: "o quarto gira", "sinto que vou cair para um lado", "o teto roda quando deito". Essas descrições valem mais que qualquer exame para orientar o diagnóstico inicial.

Os Dois Grandes Tipos de Vertigem — Periférica e Central

Toda vertigem se encaixa em uma de duas categorias. Distinguir entre elas é, literalmente, uma questão que pode salvar vidas.

Vertigem Periférica (origem no ouvido interno)

É a mais comum — responde por cerca de 80% dos casos. Origina-se no labirinto ou no nervo vestibular. Costuma ser intensa, rotatória, vir em crises e estar associada a sintomas do ouvido (em alguns casos). É o território da VPPB, da doença de Ménière, da neurite vestibular e da labirintite.

A boa notícia: a vertigem periférica é justamente a que melhor responde à fisioterapia vestibular.

Vertigem Central (origem no cérebro)

Mais rara, porém mais grave. Origina-se no tronco encefálico ou no cerebelo. Pode ser sinal de AVC, tumor, esclerose múltipla ou enxaqueca vestibular. Costuma vir acompanhada de outros sintomas neurológicos: visão dupla, dificuldade para falar, fraqueza em um lado do corpo, descoordenação.

O protocolo que uso para diferenciar

Na avaliação, utilizo um conjunto de testes oculomotores conhecido como protocolo HINTS, que diferencia causa periférica de central com altíssima precisão nas primeiras horas — superior, inclusive, à tomografia para detectar AVC nesse período. Quando há qualquer sinal de alarme central, a conduta não é fisioterapia: é encaminhamento imediato para emergência. Essa triagem responsável faz parte de um atendimento sério.

As 5 Causas Mais Comuns de Vertigem

Aqui está o coração do problema do "diagnóstico de labirintite para tudo". A vertigem tem causas distintas, e cada uma pede um tratamento específico.

1. VPPB — Vertigem Posicional Paroxística Benigna

É a causa mais comum de todas, responsável por trinta a cinquenta por cento dos casos. Acontece quando pequenos cristais (otocônias) se deslocam dentro dos canais do labirinto. A vertigem é breve (segundos), desencadeada por mudança de posição da cabeça — deitar, levantar, virar na cama. O tratamento é mecânico, com a Manobra de Epley, e resolve na maioria das vezes em uma única sessão. Não há remédio que substitua a manobra.

2. Doença de Ménière

Causada por acúmulo de líquido no ouvido interno (hidropsia endolinfática). As crises são longas (de vinte minutos a horas), intensas, e vêm acompanhadas de perda auditiva flutuante, zumbido e sensação de ouvido "cheio". O tratamento combina dieta com pouco sal, medicação e reabilitação vestibular entre as crises.

3. Neurite Vestibular e Labirintite

A neurite é a inflamação do nervo vestibular, geralmente após uma infecção viral. Causa vertigem intensa e contínua por dias, sem perda auditiva. A labirintite envolve também a parte auditiva, somando perda de audição e zumbido. Após a fase aguda, a fisioterapia vestibular acelera a recuperação do equilíbrio de forma decisiva.

4. PPPD — Tontura Postural-Perceptual Persistente

É a vertigem/tontura que não passa. Surge frequentemente após um episódio agudo (uma VPPB, uma neurite) e se mantém de forma crônica, com sensação de instabilidade que piora em ambientes visualmente complexos — supermercados, telas, multidões. O tratamento é específico, com reabilitação vestibular e abordagem da sensibilização.

5. Vertigem Cervicogênica

Origina-se de disfunções da coluna cervical, que alteram as informações de posição enviadas ao cérebro. Costuma vir associada a dor e rigidez no pescoço. Responde à fisioterapia que integra o tratamento cervical e vestibular.

Quando a Vertigem é uma Emergência

A maioria das vertigens é benigna. Mas existe um pequeno grupo em que a vertigem é a ponta de um problema grave. Procure atendimento de emergência imediatamente se a vertigem vier acompanhada de:

  • Dor de cabeça súbita e intensa, diferente de tudo que já sentiu
  • Dificuldade para falar, fala arrastada ou confusão
  • Visão dupla ou perda de visão
  • Fraqueza ou dormência em um lado do corpo ou do rosto
  • Dificuldade para andar, descoordenação dos braços
  • Perda de consciência

Esses são sinais de alerta para AVC. Nesse cenário, cada minuto conta — não é hora de marcar fisioterapia, é hora de ligar para a emergência.

Por Que Remédio Não Cura a Maioria das Vertigens

Esta é, talvez, a parte mais importante deste guia — e a que mais contraria o que muita gente ouviu por anos.

Os medicamentos antivertiginosos (como a betaistina, o dimenidrinato, a flunarizina) têm um papel: aliviar o sintoma na fase aguda, controlar a náusea, dar conforto nos primeiros dias. Mas eles não tratam a causa da maioria das vertigens.

No caso da VPPB, por exemplo, o problema é puramente mecânico — cristais fora do lugar. Nenhum comprimido recoloca esses cristais. Só a manobra de reposicionamento faz isso. Pior: o uso prolongado de antivertiginosos pode até atrapalhar, porque suprime o sinal que o cérebro precisa receber para se recalibrar (a chamada compensação vestibular).

As principais diretrizes internacionais de otorrinolaringologia são explícitas: para a VPPB, o tratamento de escolha é a manobra, e o uso rotineiro de antivertiginosos é desaconselhado. Apesar disso, vejo pacientes todas as semanas que passaram meses medicados, sem nunca terem recebido o tratamento que de fato resolveria seu caso.

Como a Fisioterapia Vestibular Trata Cada Tipo de Vertigem

A reabilitação vestibular é um conjunto de técnicas baseadas em evidência científica de alto nível. O tratamento é sempre individualizado, mas segue princípios claros conforme a causa:

  • Para VPPB: manobras de reposicionamento (Epley, Semont, Gufoni), que devolvem os cristais ao lugar. Resolução frequentemente na primeira sessão.
  • Para hipofunção vestibular (neurite, pós-labirintite): exercícios de adaptação do reflexo vestíbulo-ocular e de estabilização do olhar, que treinam o cérebro a compensar o lado afetado.
  • Para Ménière (entre crises): exercícios de equilíbrio e habituação para reduzir o impacto funcional, somados ao controle clínico da doença.
  • Para PPPD: exercícios de habituação progressiva, dessensibilização visual e, frequentemente, abordagem integrada com manejo da ansiedade associada.
  • Para vertigem cervicogênica: integração de terapia manual cervical com reeducação do equilíbrio.

O fio condutor é sempre o mesmo: identificar a causa com precisão e aplicar a técnica correta para ela. É isso que a fisioterapia vestibular faz e o remédio não faz.

O Que Fazer Durante uma Crise de Vertigem em Casa

Enquanto o tratamento definitivo não começa, algumas medidas reduzem o risco de queda e o desconforto durante uma crise:

  1. Pare e sente-se assim que a vertigem começar — não tente andar.
  2. Fixe o olhar em um ponto imóvel à sua frente; isso ajuda o cérebro a se reorientar.
  3. Evite movimentos bruscos da cabeça; mova-se devagar e com apoio.
  4. Mantenha o ambiente iluminado e livre de obstáculos no chão.

Essas medidas são paliativas. Elas não substituem a avaliação — servem para atravessar a crise com segurança até que a causa seja identificada e tratada.


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Vertigem que não passa — ou que sempre volta?
O primeiro passo é descobrir a causa real. Faço a avaliação vestibular completa no seu domicílio e, na maioria dos casos, inicio o tratamento na mesma visita.
Dr. Moacir Rodolfo Muruci · Fisioterapeuta · CREFITO 16.513-F
Especialista exclusivo em Reabilitação Vestibular · 30 anos de experiência
📍 Atendimento domiciliar no Rio de Janeiro · Telerreabilitação para todo o Brasil
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Referências Científicas

  • BHATTACHARYYA, N. et al. Clinical Practice Guideline: Benign Paroxysmal Positional Vertigo (Update). Otolaryngology–Head and Neck Surgery. 2017;156(3_suppl):S1-S47.
  • STRUPP, M.; BRANDT, T. Vestibular Disorders: Diagnosis, New Classification and Treatment. Deutsches Ärzteblatt International. 2008;105(10):173-180.
  • HALL, C.D. et al. Vestibular Rehabilitation for Peripheral Vestibular Hypofunction: An Updated Clinical Practice Guideline. Journal of Neurologic Physical Therapy. 2022;46(2):118-177.
  • KATTAH, J.C. et al. HINTS to Diagnose Stroke in the Acute Vestibular Syndrome. Stroke. 2009;40(11):3504-3510.
  • STAAB, J.P. et al. Diagnostic criteria for persistent postural-perceptual dizziness (PPPD). Journal of Vestibular Research. 2017;27(4):191-208.

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